Que a tecnologia está transformando a vida de muita gente e a rotina de produção de muitos negócios não é nenhuma novidade, mas em meio à pandemia que assola o mundo, a percepção de que a transformação digital em curso na agricultura é um sinal de esperança não só para a combustão da economia brasileira, mas para a geração de novos empregos. 

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Jonas Oliveira/ANPr
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As tecnologias digitais são a grande aposta para a transformação da agricultura brasileira. Com base em conteúdo digital, tecnologia de ponta e conectividade, características da era digital, em breve as fazendas inteligentes integradas farão parte do dia a dia do produtor brasileiro.

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Sensores, drones, aplicativos, softwares e sistemas de gestão, imagens de satélites, tratores, pulverizadores e colheitadeiras automáticas já são realidade no meio rural. Mas com a geração cada vez mais intensa de dados e informações, serão necessárias novas tecnologias de informação e comunicação, as TIC, para analisar tudo isso, interpretar e trazer soluções integradas que ajudem o produtor a tomar decisões rapidamente e com menor custo, de acordo com a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP), Silvia Massruhá.

As tecnologias disruptivas têm um potencial imenso de aplicações em todas as atividades, passando pelo plantio, manejo, colheita e pós-colheita. Elas abrangem todas as etapas do processo produtivo, desde a pré-produção, conhecida no setor agro como “antes da porteira”, passando pela produção, ou “dentro da porteira”, até a pós-produção, chamada de “depois da porteira”. Incluem sensores para análise do solo, estações agrometeorológicas automatizadas, imagens de satélites de alta resolução para monitoramento agrícola e florestal, sistemas e aplicativos voltados à estimativa de produtividade, rastreabilidade e certificação dos produtos agrícolas.

Além de aumentar a produtividade agrícola, com a significativa redução de custo e de tempo dos processos, as tecnologias digitais garantem a sustentabilidade e criam novas oportunidades de trabalho no campo, trazendo impactos econômicos, sociais e ambientais.

Os benefícios podem abranger todas as cadeias produtivas agrícolas, com a incorporação de inovações e a interação entre os elos das cadeias, impactando os produtores rurais, fabricantes de insumos, processadores, distribuidores e consumidores.

“As soluções digitais devem resolver os problemas reais da produção para posicionar a agricultura tropical a um novo patamar”, ressalta o pesquisador da Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) Ricardo Inamasu.

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A agricultura digital não é resultado só do uso das TIC, conta Silvia, mas das convergências tecnológicas entre a biotecnologia, a nanotecnologia e a tecnologia da informação e da ciência cognitiva, e entre as geotecnologias, agricultura de precisão e internet das coisas. Envolve conhecimento de áreas multidisciplinares e dos mais diversos especialistas, como meteorologistas, cientistas da computação, matemáticos, estatísticos, biólogos, bioinformatas e outros profissionais, além dos tradicionais agrônomos.

Entre os projetos de pesquisa que a Embrapa Informática Agropecuária desenvolve na área de inteligência artificial e aprendizado de máquina, está o EcontaFruto, que em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) busca automatizar a contagem de frutos em laranjais. Com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a partir de técnicas de visão computacional, pesquisadores também estão recriando plantas tridimensionais em laboratório e testando algoritmos (códigos de programas de computador) para identificação de culturas agrícolas.

Esses resultados visam estimar volume e peso dos frutos, apoiando estimativas de safra e monitoramento de pragas e de deficiências nutricionais.

Outra pesquisa inovadora, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), usa drones para contagem de gado; a metodologia poderá contribuir para monitoramento do peso e da saúde animal. O Swamp (Smart Water Management Platform) usa a internet das coisas (IoT) para criar uma plataforma inteligente de gerenciamento de água em irrigação de precisão, em parceria com a União Europeia e coordenação da Universidade Federal do ABC (UFABC).

A startup Bem Agro e a Embrapa Instrumentação se uniram para desenvolver sistemas automatizados aplicados à agricultura de precisão, visando ao planejamento, controle e monitoramento de doenças e pragas em diversas culturas, entre elas, milho e cana-de-açúcar. A solução tecnológica, com prazo de execução de dois anos, tem o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped).

Desafios

Para avançar na transformação digital , o País ainda precisa enfrentar enormes desafios em relação à infraestrutura e à conectividade no campo. De acordo com o Censo Agropecuário 2017, divulgado em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 5,07 milhões de estabelecimentos rurais existentes no Brasil, 3,64 milhões não têm acesso à internet, ou seja, 71,8% das propriedades. Apesar desse retrato adverso, os esforços para vencer a exclusão digital no campo têm gerado bons resultados. De 2006 a 2017 houve um crescimento de 1.900% no acesso à rede pelos produtores rurais, graças, principalmente, ao uso dos smartphones.

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