Mercado Livre de energia pode render até 30% de economia
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Mercado Livre de energia pode render até 30% de economia

Toda empresa paga energia. Poucas sabem que, há mais de duas décadas, existem dois mercados de eletricidade no Brasil e que a maioria dos negócios está, sem nunca ter escolhido, no mais caro deles. De um lado, o mercado cativo, em que a tarifa é definida pela distribuidora local e ao cliente resta apenas pagar a conta. Do outro, o mercado livre, em que a empresa negocia preço, prazo e até a fonte da energia como negociaria qualquer outro insumo.

A diferença entre estar em um ou em outro pode chegar a 30% na conta de luz. E, pela primeira vez na história do setor, ela está deixando de ser privilégio das grandes corporações para alcançar comércios, indústrias de pequeno porte e prestadores de serviço.

"Historicamente, as pequenas e médias empresas foram esquecidas no mercado de energia. Enquanto os grandes grupos negociavam tarifas, as PMEs continuavam presas ao mercado cativo, pagando o preço cheio, sem nenhum poder de barganha", afirma Carol Fantinati, fundadora da Nexvie Energia, consultoria especializada na transição energética de pequenos, médios e grandes negócios. "O que estamos vendo agora é essa lógica finalmente começar a se inverter."

Mercado cativo: o modelo em que quase todo mundo está (sem ter decidido)

No mercado cativo, tecnicamente, o Ambiente de Contratação Regulada (ACR), a empresa compra energia exclusivamente da distribuidora que atende a sua região. Não há concorrência nem negociação: a tarifa é homologada pela ANEEL, reajustada anualmente e ainda sofre o impacto das bandeiras tarifárias, aquelas faixas vermelha, amarela e verde que mudam o valor do quilowatt conforme as condições de geração do país.

É o modelo mais simples, e exatamente por isso o mais confortável de manter. O problema é que conforto, aqui, custa caro: sem poder de barganha, o negócio paga a tarifa cheia e fica exposto a reajustes sobre os quais não tem nenhum controle.

Mercado livre: energia tratada como qualquer outra negociação

No mercado livre, o Ambiente de Contratação Livre (ACL), a empresa escolhe de quem compra, por quanto e por quanto tempo. É possível travar o preço em contrato por anos, blindando o orçamento contra reajustes e bandeiras, e ainda definir a origem da energia: contratar 100% de fontes renováveis, com certificado que comprova essa procedência.

Não por acaso, o ambiente livre já deixou de ser nicho. Ele responde hoje por cerca de 43% de toda a eletricidade consumida no país e reúne aproximadamente 85 mil participantes. O que faltava era abrir a porteira para quem consome menos, e é justamente isso que está acontecendo.


Cativo x Livre, lado a lado

O mercado cativo tem a vantagem da simplicidade: a empresa não gere contratos nem escolhe fornecedor, e fatura e fornecimento ficam concentrados na distribuidora. Em troca, paga tarifa cheia, sem margem de negociação, convive com reajustes e bandeiras que minam a previsibilidade e não tem como comprovar energia limpa.

O mercado livre inverte a equação: economia relatada de 20% a 30%, preço travado em contrato, energia renovável certificada (I-REC) e diferencial ESG mensurável. O custo é a necessidade de gerir contratos, e o fato de, até pouco tempo, ter sido restrito a grandes consumidores.

O veredito honesto: para quem prioriza não pensar no assunto, o cativo entrega isso, ao preço de pagar mais. Para quem encara energia como custo a ser gerido, o livre tende a ganhar em economia e previsibilidade. E a objeção clássica, "dá trabalho" é exatamente a parte que uma consultoria assume no lugar da empresa.

"Ainda existe o mito de que energia renovável é mais cara. É exatamente o contrário: hoje ela é mais competitiva. Nossos clientes economizam até 30% em relação à tarifa do mercado cativo", diz Carol. "Economia e sustentabilidade deixaram de ser uma escolha entre uma coisa e outra, passaram a andar juntas."

"E a minha empresa, já pode migrar?"

Aqui entra o detalhe que muda tudo. Desde janeiro de 2024, todos os consumidores do Grupo A, indústrias e comércios maiores, atendidos em alta e média tensão, já podem migrar livremente. O grande contingente de pequenos e médios negócios, porém, está no Grupo B (baixa tensão), e para ele a porta ainda está se abrindo.

Foi a Lei nº 15.269/2025, sancionada em 24 de novembro de 2025, que fixou pela primeira vez um calendário legal para essa abertura. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o cronograma é o seguinte: o Grupo A já escolhe seu fornecedor desde 2024; até novembro de 2027, a abertura alcança os consumidores comerciais e industriais de baixa tensão; e até novembro de 2028, os consumidores residenciais.

Ou seja: o pequeno e médio negócio tem uma data garantida em lei para entrar no mercado livre. Mas esperar até 2027 significa pagar tarifa cheia por mais de um ano. Existe uma forma de começar a economizar antes e ela já está valendo.

Geração Distribuída: a ponte para quem não quer esperar

Enquanto o ACL não chega ao Grupo B, a Geração Distribuída (GD) permite que o negócio consuma energia renovável a preço negociado desde já associando-se a usinas geradoras (solar, hídrica, eólica ou de biomassa) sem instalar nada no próprio telhado. A economia é imediata e a origem limpa fica documentada por certificados I-REC.

O acesso é mais largo do que parece: vale para contas de luz acima de R$ 400 por mês, e o contrato pode ser feito tanto em CPF quanto em CNPJ.

"A primeira pergunta que todo gestor faz é se a empresa vai ficar sem energia em algum momento. Não fica. A distribuição continua sendo feita pela concessionária local", explica a fundadora da Nexvie. "O que muda é apenas de quem se compra a energia e o preço, que cai."

"O empresário de baixa tensão não precisa esperar 2027 para começar a economizar", completa. "Com a Geração Distribuída, ele já contrata energia renovável a preço negociado hoje. A janela de economia está aberta agora e cada mês no mercado cativo é dinheiro que não volta."

De quem cuida da parte difícil

O maior obstáculo nunca foi a economia em si, era a burocracia: regras da ANEEL, negociação com distribuidoras, estruturação de contratos. É esse trabalho que a Nexvie Energia, parceira oficial da ENGIE para o Mercado livre de energia, assume de ponta a ponta. A empresa faz a análise de viabilidade gratuita, identifica o potencial real de economia de cada operação e conduz a migração sem interrupção do fornecimento.

"O que sempre travou a migração das PMEs nunca foi o preço, foi a burocracia. A gente assume essa parte inteira: a análise, o contrato, a conversa com a distribuidora", diz Carol. "O empresário só precisa tomar a decisão e acompanhar a economia chegar na conta."

O resultado aparece em números. Mais de 2.000 empresas já fizeram a transição com a consultoria, com casos que vão do comércio à indústria: a Megacast contabilizou redução de custo superior a 25%, e a Motherson superou os 30% de economia na conta, alinhada à sua meta de sustentabilidade.

A urgência não é uma data no calendário. É cada mês a mais.

A Lei 15.269/2025 prevê o fim gradual dos descontos sobre as tarifas de uso da rede para novos contratos e ampliações. Na prática, as condições de entrada tendem a ficar menos generosas com o tempo, o que dá vantagem a quem se estrutura mais cedo. Mas o argumento mais simples dispensa a regulação: enquanto a decisão não é tomada, a tarifa cheia do mercado cativo continua sendo cobrada, mês após mês, sobre um valor que poderia ser até 30% menor.

"Quando o gestor vê o número concreto, quanto a empresa dele vai economizar por ano e quanto deixa de emitir, a decisão sai em dias", afirma Carol Fantinati. "Deixa de ser promessa e vira projeção."

Energia mais barata e mais limpa, resume a fundadora, "não é mais um luxo de multinacional. Virou uma decisão de gestão que qualquer empresa com conta acima de R$ 400 já pode tomar".

Carol Fantinati, fundadora da Nexvie Energia, durante atendimento a cliente sobre soluções de geração distribuída
Divulgação
Carol Fantinati, fundadora da Nexvie Energia, durante atendimento a cliente sobre soluções de geração distribuída


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