Empresas dão em média 26 horas de treinamento por ano a cada funcionário
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Empresas dão em média 26 horas de treinamento por ano a cada funcionário

Quanto tempo de treinamento um funcionário recebe por ano no Brasil? Segundo a 20ª edição da Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil, da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento), a média chegou a 26 horas anuais por colaborador em 2025. Em 2024, eram 24 horas. O levantamento ouviu 443 empresas e mostrou ainda que 89% delas têm orçamento anual definido para T&D (treinamento e desenvolvimento).

Em alguns setores, o treinamento vai além do número de horas e vira rotina. Na saúde, a Inspand , empresa de educação corporativa, registra em seu LMS (Learning Management System, ou sistema de gestão de aprendizagem) mais de 690 mil cursos concluídos em 2026 por mais de 180 mil profissionais, uma média superior a 3,8 cursos por pessoa.

O que as horas não mostram

Contar horas de treinamento é uma forma de medir o quanto a empresa oferece. Só que esse número não diz se o funcionário terminou o curso nem se voltou a estudar depois. Para Cristiano Franco, CEO da Inspand, essa diferença pesa.

"Hora de treinamento mede esforço. Na saúde, o gestor precisa saber quem concluiu, em qual unidade e dentro de qual prazo, porque essa informação conversa com auditoria, acreditação e qualidade assistencial", afirma.

A mesma lógica vale para quem paga pelo treinamento. "Quando a empresa olha só para o número de usuários, ela mede a compra. Quando olha para as conclusões e para a recorrência, mede se o investimento está chegando às pessoas", completa.

Na saúde, o treinamento se repete

A média de 3,8 cursos concluídos por profissional mostra que, nas instituições atendidas pela Inspand, o aprendizado acontece mais de uma vez. "Quando um profissional conclui vários cursos ao longo do tempo, a atualização passou a fazer parte do trabalho dele. É isso que as instituições de saúde buscam: desenvolvimento contínuo, e não um treinamento pontual", diz Franco.

Por que a saúde treina tanto

O setor é gigante e muda o tempo todo. Segundo o IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), a cadeia produtiva da saúde fechou 2024 com 5,1 milhões de trabalhadores formais, 10,9% dos empregos do país. Só a enfermagem tem mais de 3 milhões de profissionais inscritos, de acordo com o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), e o número de vínculos da categoria cresceu 44% entre 2017 e 2022.

Além do tamanho, há a frequência das mudanças. Um protocolo clínico novo, um equipamento que chega ou uma norma sanitária revisada exigem que toda a equipe seja atualizada. "Na saúde, a capacitação acompanha o ritmo da operação. Quando um protocolo muda, a instituição precisa garantir que a orientação chegou a todos os profissionais envolvidos e ter como comprovar isso", explica o executivo.

E tudo isso acontece com a equipe em plantão. "A equipe de saúde não para para estudar no mesmo horário. São plantões, unidades e funções diferentes, e a plataforma precisa entregar o conteúdo certo para cada pessoa, no momento em que ela pode fazer o curso", diz Gustavo Marson, CTO da Inspand.

Quem usa a plataforma

Entre as organizações atendidas pela Inspand no setor estão Amil, Unimed Paraná, Hermes Pardini, Saúde Petrobras, Rede Santa Catarina, Hospital Pequeno Príncipe, ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer).

Respondendo à pergunta do começo: nas empresas brasileiras, a média é de 26 horas de treinamento por ano. Na saúde, porém, o indicador que mais chama atenção é outro: profissionais que concluem vários cursos e mantêm a atualização como parte do trabalho.

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