
Antes de fechar negócio com um fornecedor ou parceiro, muitas empresas verificam se o nome aparece em listas restritivas e de sanções, cadastros que reúnem pessoas e organizações com restrições impostas por autoridades. Como fazer essa checagem conversar com o resto do programa de compliance foi um dos temas do evento.
O assunto ganhou um painel próprio na primeira edição do Compliance 360°: conectando tecnologia, integridade e pessoas , realizado em 21 de outubro, em São Paulo, pela clickCompliance e pelo Kronoos. O encontro reuniu mais de 150 profissionais da área, das 9h às 18h.
Por que os parceiros preocupam
Fornecedores e parceiros ampliam a exposição das empresas. Pesquisa do Gartner divulgada em 2025 mostrou que mais de 82% dos líderes de compliance enfrentaram consequências ligadas a riscos de terceiros nos 12 meses anteriores, e a gestão de terceiros foi apontada como a principal prioridade do grupo.
A lei também cobra atenção. O Decreto 11.129/2022, que regulamenta a Lei Anticorrupção (12.846/2013), inclui as diligências para contratação e supervisão de terceiros entre os parâmetros que avaliam se um programa de integridade é efetivo, ao lado dos canais de denúncia e do monitoramento contínuo.
"Boa parte das empresas já tem canal de denúncias, política de conflito de interesses e processo de due diligence. A proposta do Compliance 360° foi olhar para o que acontece entre essas frentes. Um fornecedor citado em uma denúncia, um conflito declarado que nunca chega ao time de compras: é nesses intervalos que o risco cresce sem que ninguém perceba", afirma Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance.
Checagem que precisa de integração
No evento, o cruzamento de dados de terceiros com listas restritivas e de sanções apareceu junto com a triagem, por inteligência artificial, dos relatos que chegam pelos canais de denúncia. A ideia é automatizar processos operacionais e acompanhar obrigações regulatórias , deixando a equipe livre para analisar e decidir.
Os números mostram por que a informação precisa circular. O relatório Occupational Fraud 2026, da ACFE (Association of Certified Fraud Examiners), com 2.402 casos em 143 países, aponta que 43% das fraudes foram detectadas a partir de um relato e que um esquema típico dura 12 meses antes de ser descoberto. As organizações perdem cerca de 5% da receita anual com fraudes internas.
A IA já está nas áreas de controle: levantamento do Gartner com 161 executivos de auditoria interna, de maio de 2026, indica que 93% delas usam a tecnologia em algum nível, embora 60% não tenham estratégia formal.
"Quando uma fabricante de aeronaves, uma fundação de pesquisa e um escritório de advocacia comparam como enfrentam os mesmos problemas, fica claro que a integração é um desafio de todo o mercado. A tecnologia ajuda quando os dados de cada área passam a conversar. Sem isso, cada frente continua enxergando só a sua parte do risco", diz Erthal.
O que mais esteve em pauta
Além de sanções e listas restritivas, os painéis trataram de conflito de interesses, gestão de terceiros e inteligência artificial aplicada a canais de denúncia. Participaram executivos de Embraer, Mercedes-Benz, Norsk Hydro, Howden Brasil, Fundação Butantan, TozziniFreire, Elopar, Clariens Educação, MetLife, Natura Pay, Unimed Campinas, Grupo Biolab, OEC e Qualicorp.
O evento foi realizado pela clickCompliance e pelo Kronoos, empresas de tecnologia para compliance reconhecidas como Top LegalTech pelo ranking 100 Open Startups. A checagem de parceiros em listas restritivas e de sanções foi tratada como parte de um programa único, que só funciona quando conversa com o canal de denúncias e com as demais áreas.
