
Rodas de conversa, encontros online e uma mesa de negócios entre mulheres. É assim que a psicóloga Elaine Taboada organiza as comunidades que, segundo ela, já reúnem 3 mil pessoas. Em agosto, ela tomou posse como acadêmica imortal da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura, na cadeira 29, de Ciências da Saúde, que tem como patronesse a terapeuta norte-americana Virginia Satir (1916-1988). A posse aparece na página de acadêmicos da instituição .
Radicada no Rio de Janeiro, Elaine é psicóloga, mentora e empresária. O trabalho dela, focado em mulheres e famílias, vai além do consultório e chega a grupos que se reúnem para conversar e fazer negócios.
Como funcionam as comunidades
Em 2023, Elaine fundou o Instituto Integrativo AlmaÚnica , clínica focada em saúde mental, emocional e treinamento com conceito boutique de bem-estar na Barra da Tijuca, e uma comunidade de mulheres que funciona online e reúne alunas no Brasil e no exterior, com um encontro coletivo por mês. No Rio, os encontros presenciais têm rodas de conversa, a Confraria, mesa de negócios entre mulheres que se reúne em um restaurante, e o Clube Terapêutico. Na prática, dá para participar pessoalmente, no Rio, ou pela internet, de onde estiver.
Desde 2024, Elaine também é anfitriã da Aliança Divergente e lidera, de forma voluntária, a comunidade Cariocas Divergentes . A missão, segundo ela, é apoiar mulheres e famílias na construção de lares e negócios saudáveis. A comunidade, o Clube Terapêutico, a academia e a Confraria são voltados a mulheres; o Instituto AlmaÚnica e a Cariocas Divergentes recebem todos os públicos.
“Ter uma vida saudável e feliz é entregar ao mundo uma vida melhor do que a que recebemos”, diz.
Por que tanta gente procura apoio
Os dados mostram o tamanho da sobrecarga. Pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2022 as mulheres gastaram em média 21,3 horas por semana com a casa e o cuidado de pessoas. Os homens, 11,7. Quase o dobro. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais, 15,66% a mais que em 2024, e 63,46% foram para mulheres. A OMS (Organização Mundial da Saúde) também aponta, no relatório World Mental Health Today , que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais e que as mulheres são as mais afetadas.
Quem é a psicóloga
Antes de chegar ao consultório, Elaine passou por três fases. A primeira foi a de gestora de RH. Formada em Administração, trabalhou 23 anos com RH, finanças e marketing, sempre com o autoconhecimento no centro. Desde 2010, fez centenas de cursos de desenvolvimento humano.
A segunda começou em 2019, aos 42 anos, quando passou a atender como terapeuta, depois de sair do mundo corporativo em 2018. No início, depois de diversas formações terapêuticas, a experiência veio da pesquisa ligada ao câncer e do método da troca justa.
A terceira foi realizar um sonho que tinha ficado de lado: cursar Psicologia. A graduação começou na pandemia e terminou em 2024. São formações distintas, ambas de base sistêmica. Ela mesma chama essa virada de jornada do herói. Hoje, atende no Instituto Integrativo AlmaÚnica, na Barra da Tijuca, e online.
“Construí cada projeto à medida que fui reconstruindo a minha própria vida”, conta.
O olhar dela é sistêmico: considera a família inteira para entender padrões que se repetem entre gerações. As mulheres são o foco, mas casais e homens também passam pelo consultório. Essa linha vem de Virginia Satir, patronesse da cadeira que Elaine ocupa agora. Reconhecida no mundo todo como terapeuta, palestrante, trainer e escritora, Satir via cada pessoa como parte de um sistema de relações e defendia que a cura passa por restaurar a comunicação, fortalecer a autoestima e criar relações mais autênticas. Foi também uma das terapeutas modeladas por Richard Bandler e John Grinder na criação do Meta Modelo e de técnicas básicas da PNL (Programação Neurolinguística).
O que une as duas é o cuidado com o feminino. Satir foi pioneira nesse cuidado e no olhar sistêmico, e é esse cuidado que está na base do trabalho de Elaine.
“Receber a cadeira de alguém tão marcante para a história da terapia familiar me preenche de um profundo senso de responsabilidade. Firmo o compromisso de honrar e dar continuidade a quem veio antes de mim e de contribuir para a construção de famílias, relações e uma sociedade mais saudável: um mundo melhor para nós e para as futuras gerações. Sigo comprometida com a evolução da ciência, da saúde, da humanidade, do empoderamento feminino, da construção de famílias saudáveis e de um novo mundo”, afirma.
Onde encontrar
Para quem procura uma comunidade de apoio entre mulheres no Rio, as iniciativas de Elaine incluem uma comunidade de mulheres, com encontros presenciais e versão online, e a Cariocas Divergentes, de caráter voluntário. Para quem mora fora do Rio, a comunidade de mulheres permite participar pela internet. Conteúdos dela também estão no canal do Instituto AlmaÚnica no YouTube e em participações como a de um podcast recente .
“Conhecimento só ganha sentido quando transforma vidas. Conhecimento sem decisão de mudança e ação nesta direção não gera novos resultados”, resume.
