
Se a ideia é trabalhar na aviação, vale olhar para onde a demanda aponta. Na projeção da Boeing para a América Latina até 2045, os comissários vêm na frente: são 56 mil novas vagas, contra 42 mil para técnicos de manutenção e 38 mil para pilotos. No mundo, a estimativa passa de 2,4 milhões de novos profissionais.
Entre as três funções, a de comissário é a que tem mais vagas projetadas na região, e a formação pode começar a distância. O CEAB , escola de aviação civil com 27 anos de mercado, forma comissários nas modalidades presencial e a distância, com uma etapa prática concentrada que o aluno de outro estado resolve numa viagem de dois dias.
Por que tanta gente
As companhias já estão contratando. A LATAM contratou mais de 700 comissários e pilotos no Brasil em 2025 e abriu no fim do ano passado um processo seletivo de tripulantes com contratações previstas ao longo de 2026. A projeção da Boeing olha para duas décadas, e não para uma temporada.
O que a cabine exige
No processo da LATAM, o curso profissionalizante de comissário de voo aparece entre os requisitos, ao lado de ensino médio completo, passaporte válido, Certificado Médico Aeronáutico e vacina contra febre amarela. Processos seletivos recentes também têm solicitado documentos como o CCT, Certificado de Conhecimentos Teóricos, e o certificado de treinamento prático. Inglês ou espanhol contam como diferencial na LATAM e são requisito, em nível de conversação, no banco de talentos da Gol.
“Durante muito tempo, quem queria voar e morava longe de São Paulo precisava se mudar antes mesmo de saber se a profissão era para ele. O ensino a distância inverteu essa ordem: a pessoa estuda de onde está e só viaja para a parte que exige presença”, diz Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.
Como é a formação
No modelo a distância, a teoria acompanha o aluno em qualquer cidade, e a decisão de investir na carreira deixa de depender de uma mudança. Também muda quem consegue chegar: gente que trabalha em outra área, mora no interior ou não pode passar meses longe de casa. A parte prática é diferente: combate ao fogo, marinharia e sobrevivência se aprendem com o corpo e ficam concentradas numa imersão presencial na selva. Para a turma da modalidade a distância que acaba de concluir a etapa prática opcional, a formação fecha com um Open Day opcional, no dia seguinte à selva: palestras sobre o mercado de trabalho e aulas de postura, etiqueta e apresentação pessoal, num hotel de alto padrão.
“A projeção de demanda é boa notícia, mas não baixa a régua. A companhia continua escolhendo quem chega pronto, e a escola que forma em escala precisa cuidar para que a prática não fique mais fraca por causa disso”, afirma o diretor.
As regras do trabalho
A Lei 13.475, de 2017, a Lei do Aeronauta, limita a jornada no transporte aéreo regular a 9 horas em tripulação simples, 12 horas em tripulação composta e 16 horas em tripulação de revezamento, e assegura ao menos 10 folgas por mês, das quais pelo menos duas num sábado e domingo consecutivos. A mesma lei reserva a profissão a brasileiros natos ou naturalizados. Empresas brasileiras em serviço aéreo internacional podem ter comissários estrangeiros a bordo, desde que eles não passem de um terço dos comissários da aeronave.
“Escola de aviação não cresce vendendo matrícula. Cresce quando o aluno formado é chamado, porque é isso que traz o próximo aluno”, diz Salmeron.
Mais vagas projetadas não significam seleção mais fácil. Significam que há espaço para quem se preparar direito.
