Pesquisa do IBGE: plano de saúde médico alcançava 2,2% da população mais pobre e 86,8% da faixa de renda mais alta
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Pesquisa do IBGE: plano de saúde médico alcançava 2,2% da população mais pobre e 86,8% da faixa de renda mais alta

A renda separava de forma acentuada o acesso à saúde privada no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, do IBGE. Na faixa de mais de cinco salários mínimos, 86,8% das pessoas tinham plano de saúde médico. Entre quem tinha rendimento mensal de até um quarto do salário mínimo, eram 2,2%.

Na mesma pesquisa, entre os brasileiros que costumavam procurar o mesmo serviço quando precisavam de atendimento, 69,8% recorriam a estabelecimentos públicos de saúde. Empresas de saúde digital, como a VoxCare , oferecem assinaturas de teleconsulta a públicos de todas as faixas de renda, inclusive a quem está fora dos planos: a plataforma reúne, num aplicativo com atendimento 24 horas, teleconsulta médica, apoio psicológico e orientação nutricional, além de um clube de benefícios com descontos e cashback, e o plano individual custa R$ 24,90 por mês.

Emprego formal e cobertura

Em junho, os planos de assistência médica somavam 53,1 milhões de beneficiários, uma cobertura de 25% da população, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No segundo trimestre de 2026, a taxa de informalidade era de 37,4% da população ocupada, segundo a PNAD Contínua, do IBGE. Trabalhadores sem carteira assinada ficam fora de um dos principais canais de acesso a planos, o benefício pago pelo empregador.

“Democratizar o atendimento não é só cobrar menos. É desenhar o serviço para quem só acessa a internet pelo celular, trabalha sem carteira assinada e não pode perder um dia de serviço numa fila”, afirma Sonia Cardoso, CEO da VoxCare.

Parte da oferta chega por meio de organizações que reúnem as pessoas. No CEAB, escola de aviação, os alunos em curso, do ensino a distância ao presencial, têm acesso ao aplicativo da VoxCare.

“Preço baixo sozinho não fecha a conta. O que sustenta o modelo é chegar a muita gente pelos lugares em que ela já está, como a escola, a associação ou a empresa, e fazer com que o benefício seja usado de verdade”, diz a executiva.

Quem paga a telessaúde

Um painel da Saúde Digital Brasil com o Datalab da Serasa Experian, feito com dados de empresas de saúde digital, somou 7,98 milhões de atendimentos de telessaúde entre 2020 e 2025. Planos de saúde financiaram 42% do volume; benefícios corporativos, 31%; recursos públicos, 8%; e o pagamento direto pelo paciente, 1%. Segundo o mesmo levantamento, 72,96% dos atendimentos terminaram no próprio ambiente digital, sem encaminhamento presencial.

Acesso pelo celular

A pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, aponta que 87% dos usuários de internet das classes D e E se conectam exclusivamente pelo celular, contra 5% na classe A. Entre todos os usuários, 65% dependem só do aparelho. Nas classes D e E, 73% dos domicílios tinham acesso à internet em 2025; a diferença em relação à classe A caiu de 83 pontos percentuais, em 2015, para 27.

Limites

A Lei 14.510/2022 tornou a telessaúde permanente no país. Telemedicina não é plano de saúde: não cobre internação, cirurgia, exames presenciais nem procedimentos, e a Resolução 2.314/2022 do Conselho Federal de Medicina assegura ao médico autonomia para indicar a consulta presencial sempre que achar necessário.

“Atender quem ganha pouco traz uma responsabilidade a mais: mostrar o caminho certo quando o caso não se resolve pelo celular. Para essa pessoa, um encaminhamento bem feito vale tanto quanto a consulta”, afirma Sonia.

Os dados mostram que, em 2019, o acesso à saúde privada estava concentrado nas faixas de renda mais altas e que a telessaúde registrada no painel cresceu sobretudo com o pagamento de planos e empresas. A assinatura individual amplia as opções de atendimento para diferentes faixas de renda, inclusive a base, dentro dos limites que o próprio formato impõe.

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