O que perguntar antes de assinar empréstimo com o carro em garantia
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O que perguntar antes de assinar empréstimo com o carro em garantia

Antes de assinar um empréstimo com o carro como garantia, vale fazer algumas perguntas à instituição. As respostas mostram quanto a operação vai custar de fato e o que acontece com o veículo durante o contrato, informações que costumam aparecer no papel e quase nunca na conversa de venda.

Quem trabalha com esse tipo de operação é a Nexus Credi , correspondente bancária de Belo Horizonte que atua com crédito garantido por veículo e por imóvel. E a procura cresce: o crédito com garantia de veículo avançou 17,83% no primeiro semestre de 2026, segundo o Índice PO27 de Crédito com Garantia Veicular.

O movimento acompanha o do financiamento de veículos, que somou 3,78 milhões de unidades no primeiro semestre, alta de 10,9% e maior volume para o período desde 2008, segundo a Trillia, unidade de dados e analytics da B3.

Qual é o LTV e dá para reduzir?

O LTV (loan to value) é a relação entre o valor pedido e o valor do carro. Um veículo avaliado em R$ 60 mil usado para tomar R$ 30 mil tem LTV de 50%. Quanto menor esse percentual, menor o risco para quem empresta e, em regra, menor a taxa. Perguntar se o LTV cai com um pedido menor pode baratear o empréstimo inteiro.

O percentual também indica a folga do contrato. Como o carro desvaloriza com o tempo, um LTV perto do teto deixa pouca diferença entre o valor do veículo e o valor da dívida.

Qual é o CET por escrito?

O CET (custo efetivo total) mostra quanto a operação custa por ano. Além dos juros, entram tarifas de originação, avaliação do carro, registro do gravame no SNG (Sistema Nacional de Gravames), IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e seguros embutidos. A instituição é obrigada a informar o CET antes da contratação, regra do CMN (Conselho Monetário Nacional) que vale desde 2007.

Ter o número por escrito permite comparar propostas. Duas ofertas com a mesma taxa mensal podem ter custos finais bem diferentes, e a de menor taxa anunciada nem sempre é a mais barata. O IOF e os seguros embutidos, por exemplo, não aparecem na taxa de juros divulgada na oferta.

Qual é a regra se a parcela atrasar?

Nesse tipo de empréstimo, o carro fica em alienação fiduciária: segue com você, mas a propriedade passa ao credor até a quitação. Pelo Decreto-Lei 911/1969, em caso de atraso o credor pode pedir a busca e apreensão, e o prazo para quitar a dívida inteira e evitar a perda do bem é de cinco dias corridos após a apreensão física. O contrato também pode prever a via extrajudicial, feita em cartório, criada pelo Marco Legal das Garantias (Lei 14.711/2023). Esse caminho foi considerado constitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2025. No imóvel, a retomada segue outra lei, a 9.514/1997, com cartório e notificação prévia.

Conhecer essa regra antes de assinar ajuda a planejar as parcelas, que vão de 12 a 60 meses.

“A assimetria não está na taxa, está no vocabulário. Quem entende as três siglas negocia; quem não entende assina o que foi oferecido”, afirma João Viríssimo, diretor da Nexus Credi.

Por que vale a pena perguntar

A garantia é o que torna esse crédito mais barato que o empréstimo sem garantia. Em agosto, o crédito pessoal não consignado custou em média cerca de 110% ao ano, segundo o Banco Central. Com as respostas sobre LTV, CET e regra de retomada em mãos, fica mais fácil escolher a proposta certa e assinar sabendo o que o contrato diz. No mesmo mês, a inadimplência das famílias chegou a 6% da carteira de crédito, também de acordo com o BC, e entrar no contrato bem informado ajuda a manter as parcelas em dia.

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