
Vende serviço, aplicativo ou produto para fora e recebe em dólar? A Trepzy , empresa de pagamentos internacionais que acaba de chegar ao Brasil, lançou uma conta global em que é possível manter o saldo em moeda estrangeira e usar esse dinheiro para pagar contas aqui por Pix.
A conta trabalha com várias moedas, faz envios para mais de 90 países e permite abrir mais de uma conta para separar os recursos. O dólar é a moeda principal, mas não a única: transferências em euro, pesos e outras moedas também podem ser financiadas via Pix, conforme a rota e a modalidade habilitada.
Quanto custa receber do exterior
Na entrada de recursos, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é de 0,38% pela regra geral. Na saída, a alíquota sobe para 3,5%, e há casos de alíquota zero e isenção conforme o tipo de operação. Segundo a Trepzy, os meios tradicionais ainda podem embutir até 6,5% de spread na conversão, além de tarifas fixas por transação. Depois de concluída a operação, ainda resta a conciliação: cruzar valores, moedas e datas em sistemas diferentes.
O Banco Mundial calcula que enviar pequenas quantias para outro país custa, em média, 6,36% do valor enviado, somando tarifas e margem de câmbio, segundo o relatório do Remittance Prices Worldwide do terceiro trimestre de 2025.
Com saldo em mais de uma moeda, quem recebe do exterior pode decidir quanto converter e quanto manter guardado para pagar despesas fora do país.
Exemplo de uso
Uma empresa que vende um aplicativo no exterior e recebe em dólar, por exemplo, pode reservar parte do saldo para pagar fornecedores de tecnologia lá fora e mandar outra parte para despesas no Brasil por Pix. Se precisar pagar alguém em moeda estrangeira e o dinheiro estiver em reais, o Pix financia a transferência.
Também é possível abrir várias contas para separar o dinheiro de cada compromisso, projeto ou área, o que ajuda a enxergar quanto está reservado para cada pagamento e facilita o fechamento do mês.
Quem criou a Trepzy
A plataforma nasceu na B2G Capital, empresa de software por assinatura fundada por Fernando Balbuena, CEO da Trepzy. Há três anos a B2G opera em mais de 60 países e cinco idiomas e, nesse período, destinou mais de US$ 2,5 milhões a mídia global e despesas gerais. Receber de clientes e pagar fornecedores em tantas moedas levou a empresa a criar sua própria estrutura financeira, base da Trepzy, incorporada em Delaware, nos Estados Unidos. O foco inicial está no Brasil e na América Latina, e as pequenas e médias empresas formam o público prioritário.
“Entendemos os problemas de uma gestão de recursos globais, porque não apenas viemos de um lugar onde enfrentávamos essas dificuldades, como ainda estamos lá, todos os dias”, afirma Fernando Balbuena, CEO da Trepzy e fundador da B2G Capital.
O movimento acompanha os números do Banco Central: em agosto de 2026, os gastos líquidos do país com telecomunicações, computação e informações chegaram a US$ 1,3 bilhão, alta de 128,2% sobre agosto de 2025.
O que vem pela frente
Até o início de 2027, a fintech planeja aceitar cartões com checkout transparente e meios de pagamento locais por país, além de lançar cartões em dólar e em real, categorização de gastos, orçamentos por departamento e inteligência artificial para analisar dados. A meta pública é atingir US$ 150 milhões em pagamentos acumulados até o fim de 2027.
Como receber pagamento do exterior em dólar
Para receber pagamento do exterior em dólar, a conta global da Trepzy permite manter o valor na moeda americana e usar o saldo depois para pagar fornecedores fora do país ou, via Pix, contas no Brasil, conforme a rota e a modalidade habilitada.
