
Arkansas, Flórida, Texas e mais 21 estados americanos já têm leis que permitem a médicos formados no exterior chegar à licença plena sem refazer a residência na América do Norte. A lista consta do levantamento de junho de 2026 da FSMB (Federation of State Medical Boards) , que reúne os conselhos médicos estaduais, e inclui ainda os territórios de Guam e das Ilhas Marianas do Norte.
Para a advogada internacionalista, professora e mentora Érika Calazans , autora do Manual definitivo do green card para médicos , a novidade amplia as possibilidades, mas as exigências estaduais e migratórias variam caso a caso e pedem planejamento desde o início.
A lista completa
Estes são os 24 estados com lei aprovada, segundo a FSMB:
Arkansas, Carolina do Norte, Flórida, Geórgia, Idaho e Illinois;
Indiana, Iowa, Kentucky, Louisiana, Massachusetts e Minnesota;
Nebraska, Nevada, Oklahoma, Oregon, Rhode Island e Tennessee;
Texas, Vermont, Virgínia, Virgínia Ocidental, Washington e Wisconsin.
Outros 17 estados têm projetos semelhantes em tramitação ou apresentados recentemente.
As novidades de 2026
Só neste ano, Geórgia, Kentucky, Louisiana, Nebraska, Virgínia Ocidental e Vermont aprovaram suas leis, com entradas em vigor escalonadas até 2028. Tennessee e Washington revisaram regras que já existiam. Na Geórgia, a aplicação ainda depende da liberação de verba pelo Legislativo estadual.
O que muda na prática
Estar na lista não significa porta aberta. Em geral, o médico começa com licença provisória ou limitada, trabalha supervisionado e fica preso a um empregador aprovado pelo conselho, muitas vezes em áreas rurais ou com carência de atendimento. Na Flórida, por exemplo, a lei pede licença ativa no país de origem, prática nos últimos quatro anos, provas do USMLE, certificação da ECFMG, exame de inglês médico e dois anos com o mesmo empregador.
Mesmo assim, a mudança é grande. Segundo o manual do USCIS (U.S. Citizenship and Immigration Services) , cerca de 75% dos estados exigem de quem se formou fora treinamento extra de pós-graduação.
Licença não é visto
A licença vem do estado e o visto, do governo federal. Idaho, Iowa e Wisconsin só dão ou mantêm a licença provisória para quem tem status migratório federal. O próprio USCIS reconhece que alguns conselhos só emitem licença com autorização de trabalho ou número de Social Security. O green card para médicos, por sua vez, exige cinco anos de trabalho em áreas carentes ou unidades de veteranos.
O cenário federal também oscilou em 2026: a suspensão de vistos de imigrante para brasileiros, em vigor desde janeiro, foi anulada pela Justiça em 21 de agosto, segundo reportagem da Band .
Por que os estados abriram as portas
A HRSA (Health Resources and Services Administration) projeta falta de 141.160 médicos nos EUA em 2038. Para quem consegue a licença, o BLS (Bureau of Labor Statistics) aponta mediana salarial anual de US$ 275.930 para médicos e cirurgiões em maio de 2025. Por especialidade, a mediana vai de US$ 210.040 entre pediatras a US$ 559.030 entre cirurgiões pediátricos. No período provisório, as condições podem ser outras: em Minnesota, a lei fixa para o médico com licença limitada remuneração equivalente à de um residente.
A recomendação de Érika é conferir as regras do estado escolhido nas fontes oficiais, como conselhos estaduais, FSMB e USCIS, e buscar análise individual antes de investir em exames ou pedidos de visto.
“Não existe roteiro único. A especialidade, o histórico de formação, o estado escolhido e a situação migratória de cada médico definem o que é viável e em quanto tempo”, afirma.
