
A Empregol ( empregol.co ), empresa fundada por jogadores e ex-jogadores de futebol, lança em outubro uma plataforma digital que conecta atletas sem contrato ativo a clubes e agentes. O serviço é voltado a jogadores e jogadoras e funciona por assinatura mensal, de R$ 24,90 a R$ 79,90, conforme o plano. O lançamento terá período gratuito.
Na plataforma, o atleta cria um perfil com posição, dados físicos, estatísticas e vídeos com seus melhores lances. O perfil passa por checagem de identidade e de documentos. Em seguida, o jogador passa a receber contato de agentes e clubes verificados por meio de um chat, no qual também conversa com a equipe da empresa.
Serviços para o período sem clube
No plano premium, o assinante pode contratar sessões com profissionais parceiros das áreas de saúde mental, jurídica, financeira e de preparação física, a preço corporativo. O acesso a esses serviços é mantido depois que o atleta assina com um novo clube.
Segundo a empresa, há atenção especial a atletas de contextos vulneráveis, para quem a falta de renda entre um contrato e outro pesa mais. A proposta, de acordo com os sócios, é que o jogador não seja apenas visto, mas acompanhado. “Nenhum atleta deveria ficar invisível só porque está entre um contrato e outro”, afirma Léo Vieira, sócio da Empregol.
Sócios
A empresa tem quatro sócios. Léo Vieira está em atividade no Portimonense, de Portugal. Matteo Zatorre jogou no Santos. Hygor Ribeiro, CEO, jogou profissionalmente por clubes como Desportivo Brasil, América de Natal e Noroeste. Caio Vieira responde pela área comercial.
“A gente sentiu na pele o que é estar sem contrato, sem clube, sem saber para onde ligar. Sentimos o silêncio depois que o telefone para de tocar”, afirma Matteo. Léo, que segue jogando, descreve a fase final de um vínculo: “Quando o contrato vai chegando ao fim, a cabeça já está no que vem depois. Você não sabe se vai continuar jogando nem se vai ter salário daqui a alguns meses. Por isso estar em campo, somando minutos, faz tanta diferença”.
Contexto
O lançamento ocorre após o fim da Série D do Campeonato Brasileiro de 2026, encerrada em 13 de setembro, a maior edição da história da competição, com 96 clubes. Os estaduais de 2027 ainda não começaram, período em que muitos atletas buscam recolocação ao mesmo tempo.
Segundo o Relatório de Transferências 2026 da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), elaborado em parceria com a CBF Academy, os contratos domésticos firmados na primeira janela do ano por clubes da Série D tiveram duração média de nove meses e remuneração média de R$ 44 mil por ano. Nos clubes sem divisão nacional, a média foi de 5,6 meses e R$ 35 mil anuais, cerca de R$ 2,9 mil por mês. O relatório descreve o quadro como o de “contratos precários, típicos de jogadores em busca de recolocação e de clubes com calendário de competições mais limitado”.
O valor mensal fica abaixo do rendimento médio do trabalhador brasileiro, de cerca de R$ 3,7 mil, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Levantamento da consultoria EY para a CBF, divulgado em 2019, apontou cerca de 360 mil atletas registrados no país, dos quais 88 mil profissionais e 11,7 mil com contrato ativo na data do estudo. Entre os que tinham contrato, 55% recebiam até R$ 1 mil por mês.
Um estudo da FIFPro, entidade internacional que representa os jogadores profissionais, identificou em 2015 sintomas de depressão ou ansiedade em 38% dos 607 atletas em atividade ouvidos. “O período sem clube cobra da cabeça tanto quanto do corpo”, diz Matteo.
