
Em julho de 2022, Pedro Silvestrini pediu demissão do Mercado Livre, onde liderava uma equipe de 17 pessoas. No mesmo dia, escreveu uma carta para si mesmo, endereçada ao seu “eu do futuro”, com os objetivos, as viagens e as conquistas que queria realizar. Hoje, aos 24 anos, ele é fundador e CEO da Tektone , consultoria de tecnologia e negócios sob medida.
A carreira que ficou para trás
A saída não foi por falta de oportunidade. Dez dias depois de completar 18 anos, Pedro entrou na Amazon e, em cerca de quatro meses, virou o líder mais jovem da operação, com 21 pessoas na equipe. Foi promovido mais de uma vez antes de receber a proposta do Mercado Livre. Cursava faculdade e tinha uma carreira encaminhada.
“A Amazon me ensinou a liderar, gerir uma equipe e me comunicar melhor. Minha carreira estava avançando, mas eu sempre quis ter meu próprio negócio, ter mais liberdade sobre meu tempo e poder viajar pelo mundo enquanto trabalhava”, afirma.
Ele não está sozinho nesse desejo. Segundo a pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) 2025, realizada no Brasil pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), ter o próprio negócio passou de 34% para 40% das menções e virou o segundo maior sonho dos adultos brasileiros, atrás só da casa própria.
O que estava escrito na carta
Um dos objetivos era comprar uma Range Rover Evoque. Pedro lembrava de ter visto uma na rua enquanto ia trabalhar com seu Gol preto. Outro era conhecer Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
O começo sem salário
Enquanto ainda trabalhava no Mercado Livre, Pedro tinha começado a estudar marketing digital, copywriting e funis de vendas, de olho em um negócio que pudesse funcionar à distância. Sem a renda do emprego formal, os primeiros projetos não deram o retorno esperado, e o dinheiro foi acabando. Pedro pegou R$ 5 mil emprestados para investir no negócio e passou longas jornadas em um notebook antigo, montando ofertas, anúncios e processos de venda.
A virada veio com um funil de vendas pelo WhatsApp que, segundo ele, gerou R$ 20 mil em um fim de semana. Depois vieram R$ 40 mil, a mudança para Balneário Camboriú e um lançamento de R$ 400 mil em sete dias. Aos 21 anos, ele comprou a Evoque.
Nem tudo saiu como planejado
Com equipe e custos maiores, uma operação seguinte ficou abaixo do esperado. Pedro reduziu a estrutura, pagou a equipe e, com o tempo, vendeu o carro. Aprendeu que um bom lançamento não garante o próximo e passou a olhar com mais atenção para custos e caixa. Uma semana depois, uma nova operação rendeu R$ 100 mil em sete dias.
Dubai e a fase atual
O outro sonho da carta também saiu do papel. Em 2024, Pedro foi a Dubai pela terceira vez e conheceu um empresário que, segundo ele, estava por trás de aplicativos milionários sem que os usuários associassem os produtos à sua imagem. A conversa o levou a apostar em produtos com marca própria, receita recorrente e participação societária. Ele passou a trabalhar de forma remota, visitou 24 países e lançou aplicativos com milhões de downloads. Segundo ele, infoprodutos e aplicativos somam R$ 14 milhões em faturamento acumulado. Em janeiro de 2026, fundou a Tektone, que ajuda empresas a resolver gargalos com tecnologia e, em projetos selecionados, a transformar essas soluções em novos produtos digitais.
Então, vale a pena?
No caso de Pedro, pedir demissão para empreender deu certo, mas a decisão veio depois de anos de experiência em liderança e estudo de marketing digital, e exigiu ajustes pelo caminho, principalmente no controle de custos e caixa. Mais informações estão no site da Tektone , e Pedro compartilha os bastidores dessa construção no Instagram, pelo perfil @pedrosilvestrinii .
