
Vender para fora do país costumava ser um projeto para grandes empresas, com equipes numerosas, estruturas locais e muito capital. Para o empresário alemão Julian Salz, esse cenário mudou, e hoje negócios brasileiros de porte menor também podem começar a pensar em clientes europeus.
Salz construiu e escalou empresas na Europa a faturamentos multimilionários em euros e agora mora no Brasil, onde pretende investir em empresas locais. A visão dele é que tecnologia, canais digitais de venda, estruturas remotas e acesso facilitado a serviços e informações internacionais derrubaram boa parte das barreiras de entrada.
Passo 1: estudar o mercado
O primeiro movimento pode ser simplesmente analisar um mercado novo, sem compromisso de abrir operação. A pergunta central é se produto, serviço e mercado são compatíveis. Sem esse encaixe, segundo o empresário, não faz sentido avançar.
Passo 2: adaptar a oferta e testar a demanda
Com um mercado em vista, a empresa pode adaptar algo que já vende e verificar se há procura real. O objetivo dessa fase é conquistar os primeiros clientes europeus e validar a oportunidade antes de investir pesado. Algumas empresas vão parar aqui, e tudo bem: o teste também serve para descobrir que o momento ainda não chegou.
Passo 3: ir além da tradução
Um erro comum, na visão de Salz, é achar que traduzir o site basta. Entrar na Europa exige entender e ajustar posicionamento, comunicação, processo de vendas, comportamento do consumidor, questões tributárias e jurídicas e a cultura de negócios local.
Passo 4: tratar o euro como reforço, não substituto
A lógica defendida pelo empresário é manter o Brasil como mercado principal e somar uma receita em euro. Esse dinheiro diversifica a exposição a uma única moeda e pode voltar para o negócio no Brasil, em marketing, contratações, tecnologia ou novos produtos.
Para pequenos negócios tocados pelos próprios donos, o efeito pode ir além do caixa da empresa. Pela relação de câmbio entre euro e real, a receita internacional pode melhorar também as finanças e o padrão de vida do empreendedor.
Nem sempre é sobre vender lá fora
Salz lembra que pensar internacionalmente também pode significar observar como outros mercados organizam vendas e gestão e trazer para o negócio brasileiro o que gerar vantagem competitiva. Processos claros, indicadores acompanhados de perto e execução estruturada estão entre os princípios europeus que ele considera úteis.
Quem é Julian Salz
Nascido na Alemanha, ele fundou a agência SALTYBRANDS, levou a empresa a faturamento multimilionário em euros e depois fez o exit. Como consultor, trabalhou com outras duas agências que alcançaram vários milhões de euros. Hoje, por meio da SAROS GROUP, criada com a empresária brasileira Beatriz Salz, quer investir em negócios brasileiros com capital e experiência operacional.
A escolha pelo Brasil, segundo ele, foi antes de tudo pessoal: depois de conhecer mais de 80 países, diz se sentir em casa aqui e admirar as pessoas e a cultura. Ele segue com atividades empresariais na Europa e quer justamente servir de ponte entre os dois mercados.
Resumindo a resposta dele: sim, uma pequena empresa pode vender na Europa, desde que comece testando o encaixe da oferta e trate o mercado europeu como uma receita a mais, não como mudança de endereço.
