Nova IA lê conversas de cobrança no WhatsApp e responde até a perguntas em áudio
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Nova IA lê conversas de cobrança no WhatsApp e responde até a perguntas em áudio

Imagine mandar um áudio no WhatsApp perguntando por que uma campanha de cobrança funcionou melhor que a outra e receber a resposta ali mesmo, na conversa. Essa é a proposta do Anni Insights, novidade da Fintegra . A ferramenta tem um detalhe curioso: trata-se de uma inteligência artificial criada para analisar o trabalho de outra.

Uma IA de olho na outra

A primeira da dupla é a Anni , lançada pela Fintegra em julho. Ela negocia dívidas pelo WhatsApp nas operações atendidas pela empresa: conversa com o cliente, propõe parcelamentos, registra recusas e fecha acordos.

Cada conversa dessas carrega informação sobre o que dá certo na negociação. Com o volume crescendo, muita coisa fica guardada nas mensagens. Na cobrança em geral, descobrir o motivo de um resultado costuma exigir relatório, cruzamento de planilha e dias de espera.

O Anni Insights encurta esse caminho. Ele lê as conversas conduzidas pela Anni e responde, em linguagem do dia a dia, às perguntas de quem comanda a operação, feitas por texto ou áudio. O slogan escolhido pela empresa resume a ideia: “Seus dados estão a uma pergunta de distância”.

Pergunta no WhatsApp, resposta na hora

A ferramenta funciona em três formatos. O mais rápido é o próprio WhatsApp: o gestor faz a pergunta e recebe o retorno no mesmo canal, na hora. Serve para as decisões do dia a dia.

Se a necessidade for levar números para uma reunião, o pedido também é feito pelo aplicativo, e o relatório chega ao e-mail em segundos, pronto para apresentar.

Para quem quer ir mais fundo, com gráficos e comparativos, o caminho é o CRM (sistema de gestão de relacionamento com clientes) da Anni, plataforma da empresa. Ali, a consulta também começa com uma pergunta. Nenhum dos três formatos pede relatório montado à mão ou cruzamento de planilha.

Por que isso importa agora

A novidade chega num momento em que a dívida pesa no orçamento de muita gente. Segundo o BC (Banco Central), a inadimplência das pessoas físicas chegou a 6% em agosto, o maior nível desde 2011, considerando atrasos acima de 90 dias. A Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), mostra que 29,9% das famílias tinham contas atrasadas no mesmo mês, em média havia 65 dias.

Mais negociação em andamento significa mais decisão para tomar do lado de quem cobra. As empresas brasileiras vêm usando IA justamente para ler e escrever textos. Pela TIC Empresas 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), o uso de inteligência artificial nas empresas passou de 13% para 17%. Entre as que já usam, a mineração de texto e análise da linguagem escrita subiu de 33% para 38%, e a geração de linguagem natural, de 20% para 30%.

O que dizem os fundadores

Segundo os fundadores da Fintegra, a ideia surgiu da rotina de quem gerencia cobrança. “Quanto mais a inteligência artificial conversa, mais informação ela gera. O gestor tinha o resultado em mãos, mas não o porquê, e chegar até ele dependia de relatório, planilha e dias de espera. Agora, seus dados estão a uma pergunta de distância”, afirmam os fundadores da Fintegra.

Na prática, a dupla divide o trabalho assim: a Anni conversa com os clientes, e o Anni Insights conversa com o gestor. Uma negocia, a outra explica o que aconteceu na negociação. Com isso, a Fintegra amplia sua atuação em IA aplicada à cobrança, com uma inteligência artificial que existe para entender a outra.

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