
Entre os requisitos para trabalhar a bordo, o idioma é o que mais muda de uma companhia para outra. Na LATAM, inglês ou espanhol no nível 4 da escala da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) conta como diferencial. Na Gol, inglês ou espanhol em nível de conversação é condição para a inscrição. Na Emirates, o inglês fluente, escrito e falado, é obrigatório.
Para quem ainda está se formando, essa diferença define quanto estudo de língua cabe antes da candidatura. No CEAB (Centro Educacional de Aviação do Brasil), escola de aviação civil com 27 anos de mercado, a modalidade a distância deixa o aluno organizar a teoria no próprio ritmo, em cerca de cinco meses, e o horário flexível ajuda a encaixar o idioma no mesmo período.
LATAM: diferencial
A LATAM, que contratou mais de 700 comissários e pilotos no Brasil em 2025, abriu no fim do ano passado um processo seletivo de tripulantes com contratações previstas ao longo de 2026. No processo, o idioma pesa a favor do candidato, ao lado dos requisitos obrigatórios, como ter 18 anos ou mais, ensino médio completo e curso profissionalizante de comissário de voo.
Gol: requisito
A Gol mantém inscrições abertas para um banco de talentos de comissários de voo. Ali, inglês ou espanhol em nível de conversação aparece entre as exigências, junto com o curso completo de comissário de voo e o CMA de segunda classe válido no momento da inscrição. Para quem tem mais facilidade com o espanhol, ele vale como alternativa ao inglês nas duas companhias brasileiras.
Emirates: fluência
Na companhia de Dubai, o inglês fluente é condição de entrada, e quem é aprovado passa por sete semanas e meia de treinamento antes de voar. Das três, é a seleção que pede mais tempo de estudo de língua.
“A escola cuida da formação. Exame médico, passaporte e idioma ficam com o aluno, e quem deixa essa lista para depois da formatura chega atrasado à primeira seleção que abrir”, diz Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.
Quando estudar
O idioma entra no mesmo calendário do curso. A teoria a distância, com apoio de realidade virtual 360° e simuladores, deixa o aluno dono do próprio horário, e isso ajuda a reservar horas para a língua ao longo dos meses de formação.
“No ensino a distância, o aluno é dono do próprio horário, e isso também faz parte da formação. Quem organiza cinco meses de estudo por conta própria chega à seleção com a disciplina que a escala de voo vai cobrar”, afirma o diretor.
A língua fora da prova
O idioma também aparece nas atividades em que o candidato é observado de perto, ao lado de competências como atendimento, trabalho em equipe e postura profissional. A formação em escola de aviação prepara para essa parte, que vai além do conteúdo técnico.
O que mais entra na inscrição
Além do idioma, a lista inclui documentos com prazo. O passaporte precisa valer por no mínimo seis meses na Gol, e o CMA precisa ter pelo menos um ano de validade no processo da LATAM. Processos seletivos recentes também têm solicitado documentos como o CCT, Certificado de Conhecimentos Teóricos, e o certificado de treinamento prático.
A resposta à pergunta do título, portanto, depende do destino: dá para se inscrever numa seleção brasileira com espanhol em nível de conversação, mas não na Emirates sem inglês fluente. Quem decide cedo onde quer voar sabe quanto estudo ainda cabe nos meses de curso.
