O que é o “trade eleitoral” que derrubou o dólar e levou a bolsa ao recorde, e o que a empresa faz com ele
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O que é o “trade eleitoral” que derrubou o dólar e levou a bolsa ao recorde, e o que a empresa faz com ele

Trade eleitoral é o nome que o mercado dá às operações que antecipam, nos preços, o resultado esperado de uma eleição. Investidores compram ou vendem ações, moedas e juros conforme a leitura das pesquisas e, depois, das urnas. Quando a leitura muda de uma vez, os preços também mudam de uma vez.

Foi o que aconteceu em 5 de outubro. Com Flávio Bolsonaro (PL) à frente no primeiro turno, com cerca de 47% dos votos válidos contra cerca de 45% de Lula (PT), o mercado passou a trabalhar com um cenário principal para o segundo turno, em 25 de outubro. O dólar caiu 4,12%, a R$ 5,0022, a maior queda diária desde 2018. O Ibovespa subiu 7,70% e renovou a máxima histórica. Os juros futuros recuaram até 133 pontos-base.

Para a empresa que importa ou exporta, o trade eleitoral não é uma oportunidade de investimento, é uma fonte de risco. A GX Capital trata o período de agosto a outubro como um regime próprio, o dólar eleitoral, em que a cotação oscila mais do que o normal nos dois sentidos.

“Até 25 de outubro o mercado vai operar um resultado como se ele já estivesse dado. As tranches que faltam seguem no passo curto, porque a segunda-feira mostrou o tamanho do movimento possível, e ele vale para os dois lados”, afirma Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital .

O que muda para quem exporta

Quem exporta sente o trade eleitoral no faturamento: com o dólar mais baixo, cada dólar recebido rende menos reais. Um exportador de madeira atendido pela GX, com US$ 5 milhões a receber, antecipou toda a receita na semana anterior à eleição, a R$ 5,22, e evitou a perda de cerca de R$ 1,1 milhão que a queda de segunda teria provocado.

“O exportador de madeira tinha US$ 5 milhões a receber em 40 dias e as pesquisas mostravam um primeiro turno apertado, cenário em que o dólar podia cair com o otimismo do mercado. Antecipamos 100% via ACE a R$ 5,22, e a margem dele ficou protegida da queda de segunda”, diz Teixeira.

O que muda para quem importa

Para o importador, o dólar mais baixo reduz o custo das parcelas que ainda estavam em aberto. O hedge em camadas recomenda fixá-las aos poucos, sem concentrar tudo num dia.

Na GX, a simulação das parcelas nos dois resultados do segundo turno passa pelo Aurum IA, tecnologia própria no aplicativo do cliente. Resumindo: trade eleitoral é o mercado antecipando o resultado, e o papel da empresa não é acompanhar a aposta, é não depender dela.

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