
“O que o contrato da Maria diz sobre a multa?” Uma pergunta assim, feita do jeito que o advogado falaria com um colega, basta para a Jenni procurar a resposta nos documentos anexados ao caso. A assistente jurídica foi lançada pela AlphaJuris , legaltech brasileira de jurimetria e inteligência artificial, e trabalha por conversa, sem menus nem comandos para decorar.
A resposta traz os trechos encontrados, com o nome do arquivo de origem. Se a informação não está nos documentos, a Jenni diz até onde a busca chegou. O trabalho fica organizado em projetos, que guardam o objetivo, as anotações e as tarefas pendentes, e a assistente retoma o contexto quando o projeto é reaberto.
Do pedido à peça
O passo seguinte pode ser outro pedido simples: “prepare uma contestação para o caso da Maria”. A Jenni primeiro confere o que falta para redigir e depois escreve um rascunho a partir do processo, dos documentos e da estratégia escolhida. Peças antigas do escritório podem servir de referência de estrutura e de linguagem. O texto sai no padrão forense, em folha A4 e fonte Times 12, com a logo do escritório, pode ser exportado em Word, PDF e outros cinco formatos e fica salvo para o advogado ler, ajustar e revisar.
Pesquisa com a fonte à vista
Quando a pergunta é jurídica, a assistente pesquisa em segundo plano e reúne jurisprudência, legislação e doutrina, sempre com a indicação de onde saiu cada trecho. A lei é lida no texto publicado oficialmente, e vários modelos de inteligência artificial trabalham juntos em cada tarefa. O que ela conseguiu localizar aparece separado do que ainda precisa ser conferido. Esse cuidado tem motivo: em 2025 e 2026, cortes como o TRT-MG (Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais), o TJPR (Tribunal de Justiça do Paraná), o TST (Tribunal Superior do Trabalho) e o TRT-GO multaram partes e advogados que citaram jurisprudência inexistente, criada por IA.
“Os tribunais já estão punindo advogados por citar decisões que a inteligência artificial inventou. A Jenni foi feita para o contrário: cada citação vem com a fonte, e o que ela não conseguiu confirmar aparece marcado para o advogado conferir”, diz Matheus Henrique Bertuci, fundador da AlphaJuris.
Navegador, aplicativos e processos
A Jenni também usa um navegador de verdade para fazer tarefas na internet pelo advogado: entra em portais, consulta, lê e preenche as etapas. Na hora de protocolar, assinar, pagar ou enviar, a tela volta pronta para revisão, e quem conclui é o profissional. Outra função cria, em poucos minutos, aplicativos sob medida, como um CRM de clientes ou uma agenda de audiências. O app fica hospedado e pode ser compartilhado por link. Qualquer pessoa abre sem precisar de conta, mas só quem o criou altera os dados.
A assistente ainda acompanha a carteira de processos: reúne o andamento de cada um, monta a linha do tempo de um caso e organiza prazos e publicações.
Pensada para quem trabalha sozinho
Segundo o Perfil ADV, estudo encomendado pelo CFOAB (Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil) à FGV (Fundação Getulio Vargas), com 20.885 profissionais ouvidos e divulgado em maio de 2024, 72% dos advogados no Brasil são autônomos.
“A maioria dos advogados no Brasil é autônoma. A Jenni dá a eles o apoio que antes exigia uma equipe inteira: alguém para pesquisar, redigir, acompanhar prazos e até construir as ferramentas do dia a dia, tudo numa conversa. E o último clique continua sendo do advogado”, afirma Bertuci.
Como experimentar
A Jenni está disponível em alphajurisbr.com.br/jenni . No site, a primeira pergunta por texto pode ser feita sem cadastro. A conversa por voz e o trabalho com os próprios casos acontecem no aplicativo.
