
Parece que todo mundo está indo para a academia, e os números confirmam. O Brasil soma 14,7 milhões de alunos, segundo a edição 2026 do relatório global da HFA (Health & Fitness Association). É o maior mercado fitness da América Latina.
O dinheiro que circula no setor cresceu junto. Com base em dados da ACAD Brasil (Associação Brasileira de Academias), o relatório mostra que a receita das academias brasileiras saiu de US$ 0,99 bilhão em 2020 para US$ 2,97 bilhões em 2024. Em quatro anos, o valor quase triplicou, e a forma de administrar esse negócio também começa a mudar, segundo a Pacto Soluções , empresa de tecnologia para gestão de academias.
Quem está por trás desse crescimento?
Boa parte do setor é tocada por quem entende de treino. No relatório da HFA, Ailton Mendes, presidente da ACAD Brasil, informa que mais de 90% dos negócios fitness do país foram fundados por profissionais de Educação Física. Segundo ele, esses empresários buscam o tempo todo ferramentas e conhecimento para administrar melhor o negócio.
E é justamente na administração que a tecnologia começa a entrar. A Pacto acompanha como as academias passam a usar dados e IA (inteligência artificial) no dia a dia.
O que muda dentro da academia?
Muita coisa acontece longe da vista de quem treina. Sistemas cruzam frequência, engajamento e histórico de pagamento para identificar alunos que podem estar perto de desistir. Mensagens e ofertas passam a variar conforme o perfil de cada pessoa. Os planos e condições podem ser ajustados de acordo com a ocupação de cada horário, para equilibrar a academia lotada no pico e vazia em outros momentos. E a equipe de vendas usa os dados para saber quais contatos têm mais chance de virar matrícula.
Para quem tem várias unidades, a lógica é a mesma na gestão de redes de academias , com os números acompanhados unidade por unidade.
“A base de dados estruturada deixou de ser um diferencial operacional para se tornar um ativo de previsibilidade de receita”, afirma a Pacto.
Por que as academias estão fazendo isso?
Crescer não significa que a conta fecha sozinha. O próprio relatório da HFA mostra que uma mensalidade de academia de baixo custo pode chegar a 10% do salário mínimo no Brasil, enquanto nos Estados Unidos fica entre 1% e 2%. E o país começou 2026 com inflação perto de 5% e juros altos. Com pouco espaço para aumentar preço, as academias precisam ganhar eficiência por dentro.
Para a Pacto, a evasão de alunos é um dos fatores que mais pressionam as margens das operações. Cada cancelamento tira uma receita que se repetia todo mês e obriga a academia a gastar de novo para conquistar outro aluno.
A IA já está em todo lugar?
A adoção da IA no Brasil ainda está no começo. A pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), estima que 17% das empresas brasileiras usaram algum tipo de IA em 2025. Entre as pequenas, com 10 a 49 funcionários, a fatia subiu de 10% para 15% em um ano.
A Pacto aponta os próximos 12 a 24 meses como a janela decisiva para as academias profissionalizarem a gestão. Na avaliação da empresa, quem organizar os dados nesse período tende a chegar ao próximo ciclo com receita mais previsível, em um mercado que já reúne 14,7 milhões de alunos.
