
O Brasil tem muito mais jogadores de futebol profissionais do que contratos para eles. Um estudo da consultoria EY encomendado pela CBF e divulgado em 2019 chegou a cerca de 360 mil atletas registrados, número que inclui os não profissionais. Desse total, aproximadamente 88 mil eram profissionais, e só 11,7 mil deles tinham contrato ativo na data de corte, ou seja, cerca de 13%.
Para a Empregol , empresa de quatro sócios, três deles vindos do futebol, esse número explica por que tanto atleta preparado fica fora do radar. A empresa lança em outubro uma plataforma para aproximar quem está sem vínculo de clubes e agentes.
Contratos curtos e salários baixos
O problema não para na falta de vínculo. Segundo a ANRESF, a agência nacional de regulação do futebol, em relatório feito com a CBF Academy, os contratos domésticos fora da Série A duram em média cerca de dez meses e pagam R$ 109 mil por ano. Na elite, a média é de 22 meses e R$ 1,7 milhão anuais.
Com contratos tão curtos, o jogador das divisões de acesso troca de clube com frequência e, a cada mudança, precisa voltar a ser visto. É uma rotina parecida com a de quem busca recolocação profissional, só que repetida várias vezes na carreira.
O que pode mudar com a nova regra da CBF
Uma decisão de 21 de setembro pode abrir espaço para mais brasileiros. Os clubes das Séries A e B aprovaram reduzir aos poucos o limite de estrangeiros relacionados por partida: serão oito em 2027 e cinco em 2030, ante nove hoje. Na lista de 50 inscritos de cada clube no Brasileirão, no mínimo 20 vagas passam a ser de atletas de até 23 anos já em 2027, e 25 em 2030. Como a mudança será gradual, os clubes terão quatro temporadas para ajustar seus elencos.
O diagnóstico vem de um estudo da CBF Academy: os sub-23 ficaram com só 13,8% dos minutos da Série A em 2026, enquanto os estrangeiros com mais de 23 anos passaram de 7,8% para 25% dos minutos desde 2020. Em 2026, o país usou 172 jogadores vindos do exterior, 15 a mais do que na temporada anterior. E o elenco da elite envelheceu: a idade média passou de 27,3 anos, em 2021, para 28,5.
“Com menos estrangeiros e mais vagas obrigatórias para atletas de até 23 anos, os clubes vão precisar ampliar o radar. Tem muito jogador pronto entre um contrato e outro, e a gente quer que ele seja encontrado”, afirma Hygor Ribeiro, cofundador e CEO da Empregol e jogador profissional.
Como funciona a plataforma
Na Empregol, o atleta cadastra posição, dados físicos, estatísticas e vídeos com os melhores lances, e o perfil passa por conferência de identidade e de documentos. Clubes e agentes verificados encontram esses perfis e falam com o jogador pelo chat. A assinatura do atleta vai de R$ 24,90 a R$ 79,90 por mês. Clubes e agentes podem fazer uma busca gratuita, que mostra perfis resumidos, ou assinar um plano de R$ 139,90 a R$ 199,90 mensais, que libera o currículo completo e a situação contratual checada. No lançamento, o primeiro mês é gratuito, período em que jogadores, clubes e agentes podem se cadastrar sem pagar.
No plano premium, o jogador ainda pode contratar sessões com profissionais parceiros de saúde mental, direito, finanças e preparação física, a preço corporativo, e continua na plataforma depois de fechar com um clube. “O clube paga para encontrar mais rápido e com informação checada. O atleta paga para ser visto por contratantes verificados e para ter acesso a profissionais que, sozinho, ele pagaria bem mais caro”, diz Caio Vieira, cofundador e diretor comercial da Empregol.
Pelo levantamento da EY para a CBF, divulgado em 2019, eram cerca de 76 mil jogadores profissionais sem contrato ativo, de um total de 88 mil, na data de corte do estudo.
