
Uma única sessão de calor no corpo inteiro. Foi isso que pesquisadores testaram num ensaio clínico publicado em 2016 na revista JAMA Psychiatry, e o resultado chamou atenção: os sintomas de pacientes com depressão caíram de forma significativa, com efeito que durou até seis semanas. Desde então, universidades nos Estados Unidos seguem investigando o calor como aliado no tratamento da doença.
Um ponto importante: ninguém está falando em trocar tratamento por sauna. Na Makoa Recovery , rede de estúdios de recuperação física, as sessões funcionam como parte de uma rotina de cuidado e se somam ao acompanhamento médico de quem já trata alguma condição.
E o coração?
O calor também aparece em pesquisas sobre o coração. Na Finlândia, onde a sauna faz parte do dia a dia, um estudo acompanhou 1.621 homens por quase 25 anos. Quem usava a sauna de quatro a sete vezes por semana teve risco cerca de 47% menor de desenvolver pressão alta. Outras análises do mesmo grupo ligaram o hábito a menor risco de doenças cardiovasculares.
São dados que colocam o calor e o frio na conversa sobre saúde, e não só sobre desempenho no esporte.
O que tem lá dentro
Na Makoa, o cliente encontra três recursos: sauna finlandesa, botas de compressão pneumática e banheira de contraste, que alterna água quente e fria. As sessões seguem protocolos de um fisioterapeuta especialista em recuperação esportiva, com ordem, tempo e combinação definidos conforme o objetivo de cada pessoa.
O público vai muito além do atleta: tem o corredor de fim de semana treinando pra primeira meia maratona, quem frequenta academia e o executivo que quer desacelerar depois do trabalho.
A febre da corrida
Boa parte dessa procura vem das ruas. Segundo a Abraceo (Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor), o Brasil teve 5.241 corridas oficiais em 2025, contra 2.827 no ano anterior, alta de 85%. Santa Catarina ficou em terceiro no ranking, com 478 provas, atrás de São Paulo e Paraná. E muita gente treina pesado enquanto encara jornadas longas e noites mal dormidas.
Durante anos, o mundo fitness vendeu esforço: mais carga, mais quilômetros, mais intensidade. A recuperação ficava pra depois. Nos Estados Unidos, isso começou a mudar na última década, com estúdios dedicados só ao recovery se multiplicando, e agora a onda chega ao Brasil puxada pelo corredor amador.
"O corredor amador hoje compra tênis de placa de carbono, relógio com GPS e planilha de treinador. Mas quando o assunto é recuperação, ainda improvisa com gelo no freezer de casa. Existe um vazio enorme aí", diz Gustavo Mello, o Gus, sócio da Makoa.
Ele conhece o assunto por dentro: foi coach, cofundador e head coach da CrossFit Union, nos Estados Unidos, e cofundador e CEO da Hele Fitness, empresa que nasceu no Havaí.
"Passei a vida inteira ensinando as pessoas a treinar mais forte. Demorei para entender que o resultado aparece no intervalo entre um treino e outro. É ali que quase ninguém está olhando".
Rede em expansão
A expansão da marca é estruturada por uma incubadora de Santa Catarina, sócia da Makoa, que trabalha apenas com marcas das quais participa societariamente. A ideia é levar os estúdios a cidades onde a corrida cresceu, mas a estrutura de recuperação ainda não chegou. O investimento pra abrir uma unidade começa em R$ 150 mil.
"A Makoa tem algo que buscamos em toda marca: um comportamento de consumo que já existe e ainda não tem quem organize. O corredor está na rua. Faltava um lugar para ele ir depois", afirma Danilo Santana, sócio e CEO da Enigma Franquias.
Então, sauna ajuda contra a depressão? O estudo do JAMA mostrou redução significativa dos sintomas depois de uma sessão de calor, e o tema segue em investigação. O caminho mais seguro, como a própria Makoa reforça, é usar o recurso como aliado, sempre junto com o acompanhamento médico.
