
Quando a palavra "agente" aparece ao lado de "inteligência artificial", muita gente que trabalha com treinamento nas empresas entende logo outra coisa: substituto. A dúvida ganhou resposta de Cristiano Franco, CEO da Inspand , durante o Campinas Innovation Week , evento que reuniu mais de 23 mil pessoas em Campinas (SP) entre 14 e 18 de setembro. Foi lá que a empresa lançou o CRIAR .
A ferramenta organiza a produção de cursos corporativos em uma esteira em que diferentes etapas são apoiadas por agentes de IA, cobrindo tarefas que normalmente ficam com roteirista, designer instrucional, revisor, designer gráfico e, no caso de vídeo, ator e estúdio.
"A IA pode acelerar processos, ampliar nossa capacidade e nos permitir produzir muito mais. Mas tecnologia, sozinha, não transforma pessoas. O que faz diferença é o que fazemos com ela. E acredito que o resultado de uma pessoa trabalhando com IA será sempre melhor do que o da IA trabalhando sozinha", afirma Cristiano, que foi embaixador da trilha "Impacto, Pessoas e Experiência" do evento, dedicada a inclusão, educação e futuro do trabalho.
O que a IA faz e o que fica com as pessoas
No desenho do CRIAR, a IA assume tarefas que antes consumiam tempo e recursos de diferentes profissionais, e as pessoas continuam responsáveis pelas decisões sobre o conteúdo. O gestor de treinamento escreve o assunto e anexa o material, como um manual em PDF. A assistente pesquisa, lê o documento e escreve o roteiro. O gestor revisa e ajusta. O vídeo sai com apresentador virtual e narração em português ou outro idioma. A publicação final é sempre feita por um humano.
"Toda vez que uma empresa vai produzir um conteúdo, ela precisa de roteirista, de designer instrucional, de revisor, de designer gráfico. Se for vídeo, precisa contratar ator e estúdio. A empresa que já tem esse time passa a produzir muito mais com ele. A que não tem passa a ter, com um agente virtual ali para atender cada demanda", diz o CEO.
Por que as empresas estão de olho nisso
A demanda por treinamento cresceu. Segundo a Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil, da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento), as empresas brasileiras aplicaram 26 horas por funcionário em 2025, acima da média de 21 horas dos dez anos anteriores. Só que existe um profissional de T&D para cada 648 funcionários. E o Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades exigidas pelo mercado vão mudar até 2030.
De acordo com a Inspand, a esteira do CRIAR permite produzir um conteúdo com cerca de 10% do orçamento e 10% do tempo de uma produção tradicional. A ferramenta também ganhou um recurso chamado Inteligência Cognitiva, que analisa imagem, áudio e linguagem do conteúdo para dar mais informação a quem cria.
Na prática, o problema que a ferramenta tenta resolver é conhecido: se um procedimento muda em março, o curso costuma ficar pronto só em junho, depois de pedido, agenda de gravação e edição. Até lá, a regra pode ter mudado de novo, e cada gerente ensina a própria versão.
Quem está por trás
A Inspand tem 31 anos. Começou como provedora de internet no interior paulista e desenvolveu o Neolude, plataforma de educação corporativa com mais de 7 milhões de usuários, usada por empresas como Natura, GOL Linhas Aéreas, FEBRABAN, Amil e Ipiranga. O CRIAR saiu do INLab, núcleo de IA criado pela empresa em 2026.
Então, a IA vai substituir quem faz treinamento nas empresas? Pela proposta da Inspand, não. A ferramenta assume o trabalho pesado da produção, e a decisão sobre o que vale a pena ensinar continua com as pessoas.
