
Morar numa comunidade fechada de alto padrão em Orlando, na Flórida, custa caro já na entrada. Em endereços como Golden Oak e Isleworth, as casas começam em US$ 3 milhões. O mercado também é concentrado: levantamentos de corretoras locais mostram que oito das dez maiores vendas residenciais da Flórida Central em 2025 aconteceram dentro de uma única comunidade.
Quem acompanha esse universo de perto é a arquiteta e designer de interiores Andria Tagliari , brasileira radicada nos Estados Unidos, com mais de duas décadas de experiência em projetos residenciais de alto padrão. Segundo ela, o preço de uma mansão nessa região vai muito além do tamanho do terreno ou do número de quartos.
Quem está comprando essas casas?
Muitos compradores vêm de fora, e os brasileiros estão entre os principais. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, estrangeiros movimentaram US$ 10,4 bilhões em imóveis residenciais na Flórida, alta de 46% em relação ao período anterior, segundo levantamento anual da Florida Realtors. O Brasil respondeu por US$ 762 milhões desse total e ficou entre os três maiores países de origem.
O estado é o preferido de quem compra de fora: concentra 21% de todas as compras residenciais feitas por estrangeiros nos Estados Unidos, à frente da Califórnia e do Texas, segundo a NAR (National Association of Realtors). Para muitos brasileiros, a casa na Flórida também funciona como investimento em dólar.
O que faz uma mansão valer mais?
Para Tagliari, quem paga milhões por uma casa quer um conjunto que funcione do começo ao fim. “O comprador de uma casa de US$ 5 milhões não está comprando metros quadrados. Está comprando uma casa resolvida. Um projeto incoerente derruba o valor do imóvel; um projeto que integra arquitetura, interiores e execução é o que sustenta o prêmio na revenda”, afirma.
Ela diz que o brasileiro costuma calcular quase tudo antes de comprar, menos essa parte. “O comprador brasileiro chega com a planilha do imóvel pronta e sem nenhuma linha para o projeto. No alto padrão da Flórida, o projeto não é a decoração do investimento. É parte do ativo.”
Quais erros aparecem com mais frequência?
A arquiteta, que mantém mais de 80 mil pés quadrados sob gestão em projetos residenciais e comerciais na Flórida, aponta três deslizes comuns. “Os três erros se repetem: importar o programa da casa brasileira para um mercado que valoriza cozinhas abertas e áreas externas integradas, construir acima do teto da rua e fazer o projeto em etapas depois da compra, pagando duas vezes pela mesma obra”, diz.
Quanto tempo leva para vender uma casa assim?
Em setembro de 2025, imóveis de US$ 3 milhões a US$ 6,8 milhões em Windermere, na mesma região, levaram de 50 a 141 dias para serem vendidos. Durante esse tempo, o dono continua pagando condomínio, imposto, seguro e manutenção.
E quem pensa em comprar?
A recomendação de Tagliari é colocar três itens na conta antes da oferta:
um orçamento de projeto e obra proporcional ao valor do imóvel;
um cronograma realista para a obra;
um plano para o futuro da casa, seja revenda, seja aluguel por temporada.
Os projetos de Andria Tagliari na Flórida incluem residências e espaços comerciais de alto padrão.
“O projeto entra na conta antes da escritura, não depois. Quem faz essa conta cedo compra melhor, gasta menos e vende mais rápido”, resume.
Em Orlando, uma casa em comunidade fechada de alto padrão começa em US$ 3 milhões. O quanto ela vai valer no futuro depende, segundo a arquiteta, das escolhas de projeto feitas desde a compra.
