Inflação, alta de juros, câmbio depreciado e dúvida fiscal desafiam a economia brasileira no pós-pandemia
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Inflação, alta de juros, câmbio depreciado e dúvida fiscal desafiam a economia brasileira no pós-pandemia

SÃO PAULO, 18 de novembro de 2021 /PRNewswire/ -- O Brasil enfrentará um cenário desafiador na busca da retomada econômica no pós-pandemia. Inflação em alta, câmbio depreciado, dúvidas em relação à política fiscal e aperto monetário, além de incertezas geradas com a eleição presidencial, estão entre as preocupações de economistas e especialistas. Aliado a isso, há também riscos externos, com retirada dos estímulos de países para enfrentar a crise sanitária.  

Durante a abertura do 16º SIAC - Seminário internacional Acrefi 2021, o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI), Luis Eduardo da Costa Carvalho , avaliou que o Brasil mais uma vez reforça a sua posição histórica de "país dos desafios". 

"Temos inflação alta, instabilidade e um cenário eleitoral no horizonte. Mas temos resiliência para entender os erros e acertos do passado e tirar lições importantes desse cenário. É preciso entender como reagirão as economias dos EUA, China e União Europeia. A inflação que ronda o mundo também provocará aperto monetário nos emergentes. Numa situação como essa, diante do histórico, nossa margem de erro é mínima: teremos que ser criativos para superar esses desafios. O Banco Central tem promovido um aperto monetário, com política de juros para conter a inflação - além de implementar mecanismos tecnológicos para ultrapassar esse período. Dentro desse cenário, a ACREFI reuniu especialistas importantes para entender esses movimentos", disse o presidente da entidade. 

André Loes, Economista-chefe para a América Latina no Morgan Stanley, traçou cenários para a economia global e mercados no pós-pandemia. A instituição já vê o PIB global em níveis pré-pandemia, recuperando mais rápido o crescimento do que nos pós-crise de 2008. "O PIB mundial está nos níveis pré-pandemia. Vemos um crescimento da economia global mais otimista, em torno de 5,7% contra 5,3% do consenso. A volta do PIB pós-crise de 2008 foi mais lenta que agora", afirmou Loes.  

Alexandre Schwartsman , Sócio-Diretor da Schwartsman & Associados Consultoria Econômica e Doutor em Economia pela University of California Berkeley , falou sobre a inflação e seu impacto no crescimento do país. Segundo o economista, as projeções apontam para um índice de 5% no próximo ano, ainda acima da meta. "Vamos trabalhar com uma taxa de juros muito acima da considerada neutra e, o resultado disso, impacta no crescimento. Temos uma questão fiscal e da expansão de gasto, o que gera baixo crescimento e um câmbio pressionado – mas a percepção é que o risco fiscal é elevado, o que prejudica nossa capacidade de gerar investimentos externo", disse.  

Samuel Pessôa, Doutor em Economia e Pesquisador da JBFO, previu que o Brasil voltará a uma agenda de reforma fiscal estrutural em 2023 diante da aceleração da inflação. "Acredito que em 2023 voltaremos a essa agenda. Se nós olharmos os últimos anos, a nossa democracia tem mostrado uma certa intolerância em relação à aceleração da inflação, aqueles políticos de que produziram inflação foram punidos pelo eleitor, a sociedade não aceita inflação. Isso sustenta uma aposta que em 2023 e, independentemente de quem for eleito, entraremos uma trajetória de ajuste fiscal estrutural", afirmou.  

 Responsável pela síntese e comentários no evento, o economista Eduardo Giannetti destacou as preocupações em relação à situação fiscal do país com as eleições no ano que vem. "Nós estamos sem ancora fiscal e esse quadro pode se agravar ainda mais por ser um ano eleitoral. Os hormônios tanto do Executivo como do Legislativo ficarão muito exaltados no sentido do descontrole de gastos. A dúvida que fica aqui é sobre a questão fiscal. O BC tendo que agir sozinho de forma muito mais contundente sem nenhum tipo de suporte da política fiscal tem limite. E o limite é dado no momento em que uma política monetária mais agressiva, de aumento juros mais pronunciado, começa a gerar ainda mais desconfiança em relação à sustentabilidade das contas públicas, mais desvalorização cambial. É um quadro bastante preocupante.", finalizou.  

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Sobre a ACREFI
A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI) foi fundada em 1958 com o objetivo de congregar as empresas do setor, defender seus legítimos interesses, fortalecer as relações entre os associados e promover o desenvolvimento de suas atividades. Em todo esse período, a instituição se manteve fiel aos seus objetivos, procurando adaptá-los às constantes mudanças ocorridas no quadro econômico em geral e nas atividades de financiamentos contribuindo, assim, com o crescimento do País.

Foto - https://mma.prnewswire.com/media/1691527/Acrefi_Presidente.jpg

FONTE Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI)

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