
Muita gente que paga para anunciar no Instagram, no Facebook ou no Google já passou por isso: o número de cliques sobe no painel da campanha, mas o WhatsApp continua quieto e as vendas não aparecem. A explicação mais comum é que a plataforma não funciona. Na maioria das vezes, o tropeço acontece depois do clique, quando a pessoa cai em uma página que não ajuda a fechar negócio.
Quem acompanha esse problema de perto é André Baumer, fundador da Tempus Tech, agência de marketing digital em Joinville (SC). “O mesmo anúncio rende mais ou menos conforme o site que recebe o clique. Se a página demora a abrir ou não deixa claro o que a empresa oferece, a pessoa volta para a busca, e o dinheiro daquela visita já foi gasto”, diz ele.
O clique pago custa mais
Esse desperdício ficou mais caro. No segundo trimestre de 2026, o preço médio cobrado por anúncio nas plataformas da Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, foi 12% maior do que um ano antes, segundo relatório da empresa à SEC (Securities and Exchange Commission, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos). E anunciar virou rotina: 41% das empresas brasileiras com dez ou mais pessoas ocupadas pagaram por anúncios na internet em 2025, mostra a pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação).
O celular decide a venda
Boa parte desse público chega pelo telefone. De acordo com a TIC Domicílios 2025, também do Cetic.br , 65% dos brasileiros que usam a internet acessam a rede só pelo celular. Uma página pesada, com letra pequena ou botão difícil de achar, perde esse visitante em poucos segundos. Um estudo da Deloitte (2020) feito a pedido do Google, com marcas da Europa e dos Estados Unidos, ajuda a medir o efeito: quando o carregamento no celular ficou 0,1 segundo mais rápido, a conversão no varejo subiu 8,4%.
Para Baumer, o anúncio só rende quando a criação de site profissional entra no planejamento antes da campanha. “Um site que converte carrega rápido, mostra a oferta logo na primeira tela, deixa o contato pelo WhatsApp à vista e funciona bem no celular, que é por onde a maioria das pessoas chega”, afirma.
O que revisar antes de anunciar de novo
O ajuste começa no papel. Um plano de marketing define quem é o cliente, que mensagem a empresa quer passar, onde ela vai aparecer, quanto vai gastar por mês, que resultado espera e como vai acompanhar os números. Com isso escrito, fica mais fácil descobrir se o problema está no anúncio, na oferta ou na página de destino. Muitas vezes, a correção é simples: deixar a oferta clara logo no topo e o botão de contato fácil de achar.
Também vale não depender só do clique pago. No anúncio, cada visita tem custo, e os contatos param de chegar quando a verba acaba. O SEO (Search Engine Optimization, ou otimização para mecanismos de busca) faz o site aparecer no Google sem pagar por acesso, e o resultado se acumula com o tempo. “O anúncio traz resultado imediato, e o SEO trabalha no médio prazo. À medida que o site ganha posição na busca, a empresa continua sendo encontrada sem pagar a cada acesso, e a dependência da mídia paga diminui mês a mês”, analisa o especialista.
Quando o anúncio dá clique e não traz cliente, a primeira revisão deve ser no destino: velocidade no celular, oferta clara e contato fácil. “Antes de aumentar a verba, vale olhar para onde o cliente está sendo levado. Quando o destino está preparado, o anúncio passa a trabalhar a favor da empresa, e o SEO ajuda a reduzir o custo de cada novo cliente ao longo do tempo”, conclui Baumer.