O que deve mudar nas empresas com a chegada da IA nos próximos anos

Diretor da GestãoPro aponta adoção gradual, a partir das tarefas internas, e mais tempo das equipes para o trabalho estratégico

O que deve mudar nas empresas com a chegada da IA nos próximos anos
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O que deve mudar nas empresas com a chegada da IA nos próximos anos

A inteligência artificial ainda vai crescer muito dentro das empresas brasileiras, e os próprios empresários dizem isso. Segundo pesquisa do Sebrae com o Meta Instituto de Pesquisa, 60% dos donos de pequenos negócios pretendem adotar ou ampliar o uso de IA no próximo semestre. E, ao contrário do que muita gente teme, 90% dos que já usam a tecnologia não mudaram o tamanho da equipe por causa dela.

Para a GestãoPro , empresa brasileira de ERP (sistemas de gestão empresarial) fundada em 2009 em Manduri (SP), o principal benefício da IA para as empresas nos próximos anos será liberar o tempo das equipes para atividades mais estratégicas. A mudança, na avaliação da empresa, vai acontecer aos poucos, saindo da divulgação e entrando nas contas, no estoque e nos relatórios.

O que já mudou

A IA ganhou espaço rápido. A 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), mostra que o uso nas empresas com dez ou mais funcionários subiu de 13% para 17% entre 2024 e 2025. Nas pequenas, de 10 a 49 funcionários, passou de 10% para 15%. Entre os empreendedores ouvidos pelo Sebrae, 52% usaram IA no negócio nas duas semanas anteriores à entrevista. Os números são diferentes porque as pesquisas medem coisas diferentes: o Cetic.br olha para o uso pela empresa, e o Sebrae, para o uso pelo empreendedor no dia a dia.

O uso, por enquanto, está concentrado no marketing. Levantamento do Sebrae com o FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) aponta que 59% das micro e pequenas empresas usam IA para divulgação, enquanto 30% usam para analisar dados. Para esses negócios, o ganho mais percebido até agora é a economia de tempo, citada por 34%.

O que vem pela frente

A tendência é a IA ir para dentro da gestão. Primeiro em tarefas repetitivas, como conciliação de dados, emissão de relatórios e organização financeira. Depois, em funções mais analíticas, como identificar padrões de consumo, prever demanda e sinalizar riscos. Segundo o Cetic.br, 80% das empresas que usam IA compraram sistemas prontos. O coordenador do estudo, Leonardo Melo Lins, observa que as soluções digitais tradicionais já podem trazer aplicações de IA, principalmente para simplificar processos administrativos.

A GestãoPro já usa a tecnologia nos próprios serviços, como em um módulo web com IA que gera relatórios gerenciais a partir do histórico de cada empresa. Na prática, é o tipo de recurso que permite ao dono do negócio consultar os números do mês sem montar tudo à mão.

“A inteligência artificial não substitui a gestão, mas amplia a capacidade de quem toma decisões. O dono do negócio continua decidindo. O que muda é a quantidade de informação organizada que ele tem em mãos na hora de decidir”, afirma Edson Souza, diretor da GestãoPro.

E o trabalho das pessoas?

A IA tem sido usada mais para ajudar do que para substituir. Segundo o Sebrae, o uso mais comum foi melhorar tarefas que os funcionários já faziam (28%), seguido da criação de novas funções (19%). Só 5% das empresas reduziram o quadro por causa da tecnologia, e 3% contrataram mais. Por outro lado, 46% precisaram criar novos fluxos de trabalho para usar as ferramentas.

Por isso, a recomendação é ir com calma: começar por uma tarefa fácil de medir, arrumar os cadastros antes de automatizar, ter alguém conferindo os resultados e cuidar dos dados dos clientes conforme a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

“A adoção tende a ser gradual. Começa pelos processos internos e avança para áreas mais complexas conforme a empresa ganha familiaridade com a tecnologia e confiança nos próprios dados”, diz Souza.