
Contratar uma consultoria de investimentos vale a pena para quem tem o patrimônio certo, nem mais, nem menos. No modelo regulado pela Resolução CVM 19, o consultor de investimentos cobra um percentual anual sobre o que o cliente tem investido e não recebe comissão de nenhum produto. Esse desenho elimina o incentivo de recomendar o fundo mais caro ou o título que paga mais a quem distribui, mas tem um custo visível que define para quem vale a pena.
Para patrimônios pequenos, o fee tende a pesar mais do que o custo que fica embutido no modelo comissionado, aplicado pelo assessor de investimentos pago pela corretora. Para famílias com dezenas de milhões, costuma existir family office ou estrutura própria. No meio está a faixa em que a consultoria faz mais sentido, segundo Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS , consultoria de investimentos autorizada pela CVM.
"A disputa real é pela faixa entre R$ 300 mil e R$ 30 milhões. Abaixo disso, o fee pesa mais do que o custo embutido; acima, a família costuma montar estrutura própria. É nessa faixa intermediária que o investidor já tem patrimônio suficiente para a estrutura de incentivo do profissional fazer diferença no resultado, e é onde tanto o cliente quanto a consultoria saem ganhando", diz Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS.
O crescimento do setor mostra que muita gente chegou a essa conclusão. O Brasil tem 2.433 consultores pessoa física em atividade, com o estoque crescendo entre 22% e 27% ao ano desde 2023, e as consultorias registradas mais que dobraram em cinco anos, de 261 para 593. O gatilho foi a transparência: desde novembro de 2024, pela Resolução CVM 179, o cliente do assessor recebe um extrato trimestral mostrando quanto a corretora ganhou com as operações dele.
"O crescimento é uma reação à mudança na transparência da cobrança. Quando o investidor passa a entender como o modelo comissionado funciona e que a assessoria não é de graça, a comparação favorece o modelo das consultorias, que são mais alinhadas ao objetivo do cliente", afirma Siqueira.
Fazer essa conta não exige planilha complexa. Basta pegar o extrato trimestral do intermediário, multiplicar por quatro e dividir pelo patrimônio investido. Esse é o custo anual real do assessor. Então, compare o resultado com o fee que uma consultoria cobraria. Se os números ficarem parecidos, a decisão passa a ser sobre incentivo, não sobre preço, e vale perguntar se a consultoria escolhida tem análise própria antes de assinar o contrato, já que o registro na CVM não garante isso.
"Para quem está escolhendo, são três perguntas: se existe conflito de interesse desse profissional, como ele é remunerado e quem está mais alinhado aos meus objetivos. As respostas separam os modelos melhor do que qualquer apresentação", destaca o sócio-fundador da VAROS.
No fim das contas, a conta que decide é sua: quanto você tem, quanto já paga sem saber e se o serviço que contrataria tem alguma diferenciação.
