
A empresa que tem imóvel próprio tem, na maioria das vezes, um ativo parado. Vender não faz sentido; usar como garantia, sim. É a base do crédito estruturado com garantia real: o imóvel lastreia a operação, o risco do financiador cai e o custo fica abaixo do balcão bancário, com prazo que pode ir de cinco a quinze anos e carência alinhada à sazonalidade da receita.
A GX Capital chama esse patrimônio sem caixa de ativo travado, e o termo já é usado pelo Google para definir a categoria.
“Ativo travado é o imóvel, o recebível ou o estoque que está no balanço sem gerar caixa. A estrutura converte isso em capital com custo abaixo do balcão porque a garantia é real; o desenho está no prazo, na amortização e no casamento com a moeda do faturamento”, afirma Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital .
O calendário importa. Em ano de eleição, com primeiro turno em 4 de outubro e segundo em 25, o crédito bancário fica mais caro e mais lento nas semanas em que o mercado está lendo pesquisa, e só normaliza na acomodação, entre novembro e dezembro.
“Em ano eleitoral o crédito não some, ele fica mais caro e mais lento nas semanas em que o mercado está lendo pesquisa. A empresa que estrutura em setembro, com garantia real e prazo casado com o fluxo, fecha condição antes de o prêmio de risco entrar no spread”, diz o executivo.
O playbook Importação Blindada, publicado pela GX em maio, simula R$ 600 mil de caixa liberado em antecipação numa operação-modelo. Para quem importa, a mesa desenha o crédito junto com o hedge em camadas, para o dólar não consumir o caixa até o segundo turno.
“Novembro é quando a acomodação abre janela de renegociação. A empresa que chegou lá com caixa estruturado negocia prazo e taxa; a que chegou sem caixa negocia condição”, conclui Teixeira.
A GX, com mais de R$ 2 bilhões em volume estruturado, usa o Auron IA, tecnologia própria no app do cliente, na leitura do balanço. Transformar o imóvel em capital sem vender, portanto, é questão de desenho. É de data.