Empréstimo com garantia de veículo: veja como funciona em 4 passos

Modalidade cresce em meio a recorde de inadimplência no país e promete taxas bem menores que o crédito pessoal e o rotativo do cartão

Empréstimo com garantia de veículo: veja como funciona em 4 passos
Foto: Foto: Reprodução
Empréstimo com garantia de veículo: veja como funciona em 4 passos

Colocar um carro quitado como garantia para conseguir um empréstimo mais barato tem virado opção cada vez mais comum entre brasileiros endividados. A modalidade, oferecida por empresas como a Nexus Credi, correspondente bancária de Belo Horizonte que atua com garantia de veículo e de imóvel , cresceu 17,83% no primeiro semestre de 2026, segundo o Índice PO27. Veja como funciona, passo a passo.

1. Avaliação do veículo

O processo começa com a avaliação do carro que vai entrar como garantia. O bem precisa ter até 17 anos de fabricação e documentação regular. Se ainda houver financiamento em aberto, parte do novo crédito é usada primeiro para quitar o saldo remanescente.

2. Definição da taxa e do custo total

Depois da avaliação, é definida a taxa da operação, que parte de patamares próximos de 1,09% ao mês mais IPCA, bem abaixo do crédito pessoal sem garantia, que oscilou entre 8,4% e 8,6% ao mês no primeiro semestre segundo o Banco Central, e do rotativo do cartão, que passa de 400% ao ano. Mas a taxa não é o único número que importa: o custo efetivo total (CET) soma avaliação do veículo, registro do gravame no Sistema Nacional de Gravames, IOF e, em parte dos contratos, seguro do bem.

3. Escolha do prazo

O cliente escolhe o prazo de pagamento, que vai de 12 a 60 meses. Prazos mais curtos reduzem o total de juros pagos, mas deixam a parcela mensal mais alta. Quem precisa de prazos mais longos, de até 240 meses, pode recorrer ao crédito com imóvel em garantia, com taxas a partir de 1% ao mês e valor médio de R$ 267 mil por operação, embora com processo de formalização mais demorado.

4. Registro do gravame e liberação do crédito

Com o contrato fechado, o gravame do veículo é registrado no Sistema Nacional de Gravames e o valor é liberado. A partir daí, o carro fica alienado até o fim do pagamento das parcelas.

O movimento acontece em meio ao recorde de inadimplência no país. O Brasil chegou a julho de 2026 com 83,9 milhões de consumidores com registro de inadimplência, segundo a Serasa, e 82% das famílias tinham dívidas a vencer, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o maior nível desde o início da série, em 2010.

"A pergunta certa não é qual taxa você conseguiu, é quanto você vai pagar no fim. Tem operação com taxa menor e custo total maior, e é aí que a troca deixa de fazer sentido", afirma João Viríssimo, diretor da Nexus Credi.

Levantamento de dez anos do Mapa da Inadimplência da Serasa mostra que 42% dos inadimplentes de 2026 já estavam negativados uma década antes, reforçando que a troca de dívida só funciona se vier acompanhada de ajuste no orçamento, e não apenas de uma taxa menor.