
Com a inteligência artificial cada vez mais presente no dia a dia das empresas, uma dúvida comum tem aparecido, será que a máquina vai substituir até as decisões que envolvem gente, tipo conflito entre colegas ou problema de relacionamento no trabalho? Pra quem está à frente de um dos projetos mais avançados nesse tipo de aplicação no Brasil, a resposta é direta, não.
Guilherme Friol é CEO da Vircos , empresa de engenharia de inteligência artificial corporativa que implementou o Friol.ai como base de conhecimento interna de recursos humanos na NUV Brasil, empresa capixaba. O sistema já resolve sozinho dúvidas de rotina como vestimenta, hora extra, plano de saúde e férias, direto no aplicativo que o funcionário já usa, sem fila e sem precisar passar pelo RH pessoalmente.
Limite da tecnologia, segundo o próprio criador do projeto
Mesmo com esse avanço, Friol é categórico sobre onde a tecnologia para.
"Um dos erros mais comuns na adoção de inteligência artificial é acreditar que ela pode substituir o julgamento humano em qualquer contexto. Ela não pode. Existem situações em que o problema não é falta de dados, é falta de contexto humano. Em conflito entre pessoas, a IA pode sugerir caminhos e organizar informações, mas não tem empatia nem capacidade de interpretar nuances. Quanto mais a situação envolve confiança, relacionamento, cultura ou emoção, mais importante se torna o papel humano. A responsabilidade pela decisão continua sendo das pessoas", afirma o executivo.
Um levantamento da MyIQ, feito com mais de 22 mil trabalhadores em dez regiões do mundo entre junho e julho deste ano, ajuda a entender por que essa fala importa agora. A pesquisa mostra que 74% dos profissionais que usam inteligência artificial com regularidade já levam ao chatbot perguntas que antes fariam a um colega, mas também aponta um lado mais sensível, 46% dizem conhecer menos como os colegas pensam e resolvem problemas, e 43% acham os pares mais difíceis de ler profissionalmente.
Os próprios autores do levantamento fazem uma ressalva importante, os dados não provam que a inteligência artificial enfraquece relações no trabalho, só mostram que os funcionários associam o uso maior da tecnologia a uma mudança na frequência com que se consultam. Ainda assim, pra quem lidera projeto de IA dentro de empresa, o recado de Friol é claro, quanto mais a decisão envolve gente, mais precisa continuar sendo gente decidindo.