
A chegada da Copa costuma movimentar o mercado de televisores no Brasil, mas escolher uma TV vai muito além do tamanho da tela. Fatores como eficiência energética, taxa de atualização e tipo de painel podem impactar diretamente tanto na experiência durante os jogos quanto no valor da conta de energia.
Atualmente, os televisores vendidos no país seguem regras definidas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia por meio da Portaria nº 377/2021, que estabelece critérios para a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE). No entanto, parte dos modelos mais modernos já não se enquadra totalmente na regulamentação atual.
Tecnologias recentes, como QLED, MiniLED e OLED, por exemplo, ainda não estão contempladas pelas regras de etiquetagem. Além disso, TVs acima de 65 polegadas também ficam fora da obrigatoriedade da classificação energética tradicional.
De acordo com Alessandra Barbosa, a velocidade das inovações no setor acabou superando a atualização das normas de eficiência energética.
“Hoje, o consumidor brasileiro muitas vezes compra uma televisão sem conseguir comparar claramente eficiência energética entre modelos, justamente porque a regulamentação não acompanhou a velocidade da inovação tecnológica. Isso mostra como é importante atualizar constantemente as políticas de etiquetagem para garantir informação transparente, estimular a indústria e permitir escolhas mais eficientes, que reduzam consumo de energia sem comprometer qualidade de imagem e desempenho”, comenta.
A especialista faz parte da Clasp, entidade sem fins lucrativos que atua há 25 anos auxiliando governos na formulação de políticas voltadas à eficiência energética.
O que observar antes de comprar uma TV
Entre os principais pontos recomendados está o consumo mensal de energia, normalmente informado em kWh/mês na embalagem ou ficha técnica do produto. A orientação é comparar modelos de tamanho semelhante e priorizar aqueles com menor consumo.
Outro item importante é a taxa de atualização da tela. TVs com 120 Hz oferecem movimentos mais fluidos, especialmente em transmissões esportivas, enquanto modelos de 60 Hz entregam desempenho mais básico. Para quem pretende acompanhar jogos de futebol, a recomendação é priorizar aparelhos de 120 Hz, visto que isso não afeta muito o consumo.
O tipo de tecnologia da tela também influencia na experiência. Modelos LCD tradicionais costumam contar com a classificação de eficiência energética e podem receber selo A de consumo. Já tecnologias mais recentes, como OLED e QLED, costumam oferecer melhor qualidade de imagem, brilho e contraste, embora não estejam incluídas nas regras atuais da ENCE (Etiqueta Nacional de Conservação de Energia)
O brilho da tela e os recursos antirreflexo também merecem atenção, principalmente para quem assiste televisão durante o dia ou em ambientes muito iluminados.
Recursos podem reduzir consumo
Além da escolha do aparelho, algumas configurações ajudam a economizar energia no dia a dia. Recursos como modo econômico, sensor de luminosidade e desligamento automático costumam estar disponíveis nos menus das TVs modernas e reduzem o consumo sem comprometer significativamente a qualidade da imagem.
A recomendação é que o consumidor consulte sempre a ficha técnica do modelo desejado e compare não apenas preço e tamanho, mas também desempenho energético e recursos disponíveis antes da compra.
